Opinião
Um grande problema
Apesar de não ser novidade, é chocante a comprovação da banalização do crime e, especialmente, do latrocínio e do homicídio, em Alagoas. As declarações dos menores acusados da tentativa de assalto seguida de morte do policial federal aposentado fornecem a exata dimensão da tragédia que se abate sobre nossa comunidade. Dois menores, candidamente, confessam que pretendiam ?apenas? levar o carro da vítima para ?dar umas voltas? na cidade. Como o cidadão reagiu, mataram-no. Simples assim. Dizem-se arrependidos, e certamente é verdade. Mas o quanto durará esse arrependimento? Se condenados, quanto tempo passarão na cadeia? Recuperar-se-ão? Em verdade, à tragédia da banalização do latrocínio, soma-se a incapacidade da legislação em fazer-se respeitar pela delinquência, especialmente pelos jovens infratores que ainda não tenham alcançado a chamada maioridade. Se detidos, não serão presos, mas apreendidos; nada que os identifique poderá ser divulgado; se condenados por crimes mais graves, ao ultrapassarem os umbrais da maioridade penal ultrapassarão também os portais de alguma coisa que não pode chamar-se de presídio. Somada a isso, a droga corre com desenvoltura entre as faixas etárias consideradas aquém da maioridade penal. Todos esses fatores, em todo Brasil e não apenas em Alagoas, parece atrair para o mundo do crime e do vício um número impressionante de jovens. Desde os ?aviõezinhos? popularizados pelo linguajar carioca como os pequenos transportadores de drogas, até ?soldadinhos? armados das gangues de traficantes, passando pelos grupos de assaltantes armados. E pode-se supor que jovens nessa condições especiais perante a lei possam ser cooptados para assumirem crimes de gente grande. Enfim, estamos com um enorme problema.