Opinião
Ainda Londres
Hoje resolvi almoçar a moda inglesa: um Lunch. Começo por um champagne Veuve Clicquot, depois consulto o cardápio que oferece sanduíches de presunto, de queijo, de salmão, de atum, e de outros petiscos desconhecidos, acompanhados de verduras. Tem algumas comidas como: panquecas e estranhas saladas de vegetais que não conheço. Há sopas também. Tudo acompanhado por cafés ou chás. Oferecem sucos temperados com bebidas alcoólicas ou não; e sorvetes, docinhos, tortas, pudins e bolos, no que os ingleses são especialistas. Escolho o óbvio para um brasileiro: sanduíche de queijo e presunto, um suco de laranjas, uma torta de morangos e uma fatia de bolo de frutas. Saio com a impressão de que não almocei. Mas pelo menos satisfiz minha fome. Conheço alguns ótimos restaurantes italianos em Londres que servem o que estamos acostumados, mas, quis mesmo, saber como come o povo deste País. Londres é rica em museus, palácios, parques e teatros. Faz parte de sua tradição o amor à arte cênica. Os maiores escritores dedicaram suas obras a esse estilo literário. Sobretudo William Shakespeare (1564-1616). O maior escritor da língua inglesa. Seu Hamlet que retrata um monarca dinamarquês sonhador e pessimista, indeciso e perplexo: (?To be or not to be! That is the question!? - Ser ou não ser! Eis a questão!) Ainda hoje é um sucesso e põe em prova a capacidade dramática dos artistas. São numerosas as salas de exibição teatral nesta cidade. Há espetáculos notáveis em todas elas. Assisti no fantástico Royal Albert Hall, construído em homenagem ao marido da rainha Victória, um espetáculo maravilhoso: ?Strictly Gershwin?, com músicas desse magnífico compositor americano, acompanhadas de balé, danças e sapateados. Como adoro teatro, aproveitei para ver os melhores shows. Na outra noite fui ver ?Million Dollar Quartet?, no Royal Circle, casa de espetáculos pequena, centenária, mas luxuosa. Foi a história do Rock and Roll e de Elvis Presley. Músicos fantásticos! Brincavam com os instrumentos! Na noite seguinte estive no Victoria Palace para outra ótima apresentação musical. Foi a vida de Billy Elliot. Seu pai não queria que ele fosse dançarino com receio de que Billy se tornasse ?gay?. Sobretudo por ser ele, o pai, chefe de um grupo contrário à homossexualidade. Desejava que o filho fosse um boxeador. Mas o garoto tinha um enorme talento para a dança. Proibido pelo genitor, deixou de comparecer a um concurso da arte que tanto amava. Ficou muito triste e se foi embora de casa. O pai se arrependeu, pois o filho não pensava noutra coisa. Só lhe atraia ser dançarino. Afinal lhe foi permitido fazer o que tanto gostava. Teve tão grande sucesso que terminou todo mundo aderindo à dança, inclusive o genitor de Eliot. Meu guia em Londres prometeu-me uma surpresa: levar-me para assistir uma orquestra de câmera e um coral, com vozes femininas e masculinas, na igreja de St Martin in the Fields que fica na Trafalgar Square. No programa: Mozart e Bruckner. Foi incrível! A igreja, estilo barroco, teve seus vitrais destruídos pelos bombardeios da última guerra. Não foram refeitos para que o povo sempre se lembrasse da brutalidade de um combate. (*) É escritora.