Opinião
A morte de Amy: reflex�es
No último dia 23, faleceu a cantora e compositora Amy Winehouse, aos 27 anos, vítima do uso de álcool e drogas. Este fato, tomando as palavras do salmo 126,1: ?se o senhor não construir a nossa casa, em vão trabalharão seus construtores?, nos fez pensar em duas realidades. O grande desafio humano não é conquistar coisas ou pessoas. A grande luta travada durante a nossa peregrinação por estas plagas não é regida pelo ter, mas por fazer os nossos dias valerem a pena. Nesse sentido, as palavras do supracitado salmo nos recordam que uma vida, em última instância, somente se sustenta, encontra raízes sólidas, quando não negligenciamos a nossa abertura ao infinito, o nosso chamado à transcendência. A nossa relação com o infinito não é um opcional. Este infinito ? revelado na fé cristã como Deus ? é a pedra angular para onde convergem nossas aspirações e onde estas encontram sua razão de ser. Sem Ele, tudo é vaidade, tudo é pó que o vento leva, é ilusão, sofrimento, morte. Outra reflexão emergida da tragédia ocorrida com a cantora britânica é o tratamento dado por algumas vozes surgidas na mídia. Amy Winehouse, ? perdoem-me os seus fãs ? não foi nenhum exemplo a ser seguido. Aliás, sinceramente, a nossa juventude já teve, de fato, exemplos midiáticos a serem seguidos. Mas, como vivemos em um mundo pobre de referências, cujos valores essenciais já não importam e não regem a vida pessoal e coletiva, chamamos de bem o que é mal. Na contramão dos exemplos a serem seguidos ou louvados, a vida, as opções e a morte de Amy servem de alerta paras todos nós. A vida é um caminho longo e nada fácil. Necessita de sabedoria para bem vivermos. Precisamos ancorá-la nas realidades infinitas, potencializando a nossa vocação inata à plenitude do ser. Caso contrário, em meio ao desespero, corremos o risco de nos agarrar as muletas da dependência de todos os tipos, inclusive da química. Por fim, vale recordar as palavras sábias de Salomão dirigidas a Deus, palavras de quem deseja viver nesse mundo sabendo construir cada dia em parceria com a sabedoria vinda do alto: ? dá senhor, pois, ao teu servo um coração compreensivo, capaz (...) de discernir entre o bem e o mal? (cf. 1Rs 3,9). Que Deus tenha compaixão de Amy, que já encerrou a sua jornada, e de todos nós ainda em caminho nesse mundo. (*) É diácono.