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Opinião

Hist�ria dram�tica e sem fim

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?Corpo de polícia contém apenas uma companhia de cento e três praças, que, sendo ?quasi? sempre chamadas para fazer a guarnição da cidade, não chega para acudir instantaneamente ?ás? diligências ?policiaes? em diversos lugares da Província, onde existem focos de ladrões e assassinos, e onde os agentes de polícia reclamam todos os dias um destacamento?. O conteúdo do texto acima, de dramática atualidade, poderia passar despercebido em qualquer página de jornal do momento, não fossem as regras ultrapassadas da nossa língua portuguesa e o termo ?Província?, utilizado para designar Alagoas. Trata-se, na verdade, da mensagem remetida à Assembleia Legislativa, em maio de 1850, pelo presidente da Província, José Bento Figueiredo, cujo cargo à época equivalia ao de go-vernador do Estado. O desabafo do mandatário alagoano já tem mais de 160 anos. Aquela mensagem enviada ao Legislativo , marcando a abertura dos trabalhos, consumiu 34 páginas do livro Fallas, Relatórios Provinciaes e Mensagens Governamentais, de 1835 a 1930 ? em muito boa hora organizado pelo escritor Luiz Nogueira Barros e publicado pela Academia Alagoana de Letras. Das 34 páginas, 11 trataram de assuntos relacionados à segurança pública. Regredindo ainda mais no tempo, chega-se a 1837. Em mensagem aos deputados, o presidente Rodrigo da Silva Pontes já ocupava generoso espaço com a mesma cantilena: ?Estou persuadido de que um corpo de cento e trinta a cento e cinqüenta praças, à disposição do Governo da Província, com um primeiro e um segundo comandante, além dos respectivos ?oficiaes? inferiores, poderá prestar grandes serviços na polícia?. Certa feita, como secretário de Comunicação do Estado, tive a oportunida-de de acompanhar reunião entre os governadores Ronaldo Lessa e Mário Covas, ocorri-da no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. Lessa perguntou a Covas acerca da se-gurança pública e ele respondeu tratar-se da área que lhe roubava efetivamente o sossego. Não sei se a violência urbana, cada vez mais banalizada em nossas esquinas, fustiga a paz do atual chefe do nosso Estado. O fato é que o problema é secular em nosso meio, e recrudesce cada vez mais. Pelos dados históricos e a complexidade com que se reveste o dever de garantir a integridade física e a paz do cidadão, conclui-se, de maneira sensata, que a solução haverá de nascer por uma construção coletiva. (*) É jornalista.

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