Opinião
A vez da macaxeira
Aurélio, o dicionário, informa serem sinônimos da mandioca os termos aipi, aipim, castelinha, uaipi, macaxeira, mandioca-doce, mandioca-mansa, maniva, maniveira, pão-de-pobre. Aqui nas Alagoas de mestre Aurélio, o mais comum é mandioca ser a usada para referenciar a farinha, enquanto macaxeira batiza as formas comestíveis da raiz (cozida, frita, creme, purê...). E, embora pouco utilizado nessas paragens, o termo ?pão-de-pobre? é esclarecedor das fundas raízes populares desse tubérculo descoberto em seus usos alimentares pelos índios e repassado aos primeiros colonizadores do Brasil. Especialmente forte no Nordeste, o consumo massivo da farinha de mandioca chega a sofrer reflexos dos preconceitos regionais e sociais, a ponto de o produto ser levado às gôndolas de supermercados travestido com a denominação de ?farofa?, segundo observam os dirigentes da Cooperativa Agropecuária de Campo Grande (Cooperagro), ao defenderem uma política agressiva de marketing para devolver ao produto o seu verdadeiro prestígio. A presença da presidente Dilma em Alagoas e sua visita à cooperativas produtoras de farinha tem como um de seus muitos fatos relevantes ter turbinado o interesse e as perspectivas de negócios em torno dos derivados da mandioca. Cultura literalmente enraizada no Nordeste, e mui especialmente em Alagoas, a mandioca/macaxeira precisa do adubo da modernidade de forma a alçar voo para patamares mais ambiciosos. Romper as amarras da retrógrada concepção da ?agricultura de subsistência? e evoluir até os níveis do agronegócio contemporâneo são os objetivos dos produtores familiares de mandioca. Além da farinha, uma série de opções se escancaram para a macaxeira, como o etanol e o polietileno para uso em sondas petrolíferas. O caminho está aberto. Ir adiante é a questão.