Opinião
Nababos e anacoretas
Espremido por dívidas ? segundo a imprensa ? mais um hospital em Alagoas joga a toalha, nocauteado pela mão pesada do SUS. Vítima do terrível barionix governamental, desta vez foi o Hospital Santa Maria, da próspera Arapiraca. É uma triste notícia que parece não comover ou preocupar as autoridades. Coincidentemente, na mesma semana, Arapiraca foi anfitriã da ilustre visitante Dilma Rousseff e sua honorável comitiva. Cheia de graça, mas sem empolgar ou convencer, dona Dilma, a faxineira-mor da Nação, prometeu água para todos e miséria nunca mais. Sem dúvidas, duas grandes promessas que, se cumpridas, colocariam a nossa dama de ferro no panteão dos grandes presidentes. Admito meu ceticismo em relação a essas coisas que envolvem verbas astronômicas. Gostaria de estar equivocado, mas quando ouço falar em cifras cabeludas sendo transferidas para obras em nosso estado logo me vêm o surgimento de novas mansões na Barra de São Miguel, o incremento de rebanhos de bovinos de raça, transferências de propriedades de terras para novos donos e todo o resto que compõe a atividade parlamentar brasileira. Também não boto fé nessa faxina moral que a presidente diz vir realizando no Ministério dos Transportes. As razões da desconfiança são simples: nossa doce líder só mostrou serviço depois que a imprensa hegemônica pôs a boca no trombone e escancarou os esquemas de assalto ao erário. Não fora pelos rancorosos da imprensa, ainda hoje Nascimento, Valdemar e outros estariam faturando alto. Da mesma forma, ninguém é bobo para imaginar que os ladrões estão concentrados apenas em um só ministério... Quem também está de luto é o ensino, com o virtual fechamento do Colégio Batista, um dos mais antigos educandários de Maceió. Com efeito, há sessenta anos, quando comecei a estudar no Colégio Diocesano, o Batista já era sólido. Não obstante o rigor vigente, foi um dos primeiros a admitir meninos e meninas na mesma sala de aula. Por conta da novidade, coleguinhas adolescentes mais salientes encontrariam um motivo a mais para lá estudarem. O fato é que o desmonte da saúde e do ensino no País é um processo que passa por muitas mãos. O desrespeito pelos médicos e professores é revelado pela ridícula remuneração. Contrasta com os salários robustos de outras atividades. Na visão dos calhordas, médicos e professores são ?apóstolos?, ?idealistas?, e portanto desprovidos de impuras necessidades terrenas. Anacoretas, purificam-se com trabalho e sofrimento. (*) É médico.