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Viol�ncia aqui: uma heran�a maldita?

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A semana não poderia ter começado pior: já na segunda-feira, o telejornal Bom Dia Brasil trouxe como destaque a situação da violência em Alagoas. Uma descrição devastadora do primado da violência entre nós, que na escala Ritcher de terremotos da criminalidade nos deixa neste primeiro e vergonhoso lugar. Existem razões genéticas para que ocupemos esta deplorável posição? O fato do primeiro bispo do Brasil, Pero Fernandes Sardinha, ter sido devorado pelos Caetés em Coruripe, em 1590, transferiu para os descendentes dos antropófagos (nós) este gene lombrosiano ou era apenas um sinal premonitório de que aqui as pendências só se resolveriam através de soluções radicais e sanguinolentas? Os caetés ficaram conhecidos como os índios brasileiros que mais odiaram os portugueses, sempre que puderam os puseram na panela e depois os comeram. Mas segundo Von Humboldt, amparado também no clássico quinhentista João de Barros, os piratas franceses, primeiros europeus a pisar o solo alagoano, tinham com os mesmos Caetés uma convivência harmoniosa. Eles eram bem tratados pelos franceses. Entre eles a relação era comercial: trocavam mercadorias. Tão harmoniosa era esta convivência que os primeiros mamelucos nascidos aqui tinham sotaque francês e bebericavam vin ordinaire regularmente. Os portugueses os escravizaram, os exploraram e finalmente os exterminaram. Apesar disto, não possuímos nenhum background genético degenerado. Nossos ancestrais silvícolas se relacionavam de acordo como eram tratados. Nosso atraso econômico-social e a violência que impera em nossa terra são resultados das ações dos homens que habitaram e principalmente, geriram esta terra ao longo de sua história. Onde mais houve intensos tiroteio e morticínio dentro de uma Assembleia Legislativa? Atualmente, temos ainda o uso desenfreado das drogas e a impunidade decorrente das precárias condições da polícia judiciária, onde pouquíssimos processos subsidiam a aplicação de punições. Questiona-se: existe empenho, ou descaso e descompromisso entre seus servidores? O seminário realizado esta semana, com a presença do ministro da Defesa, Nelson Jobim, volta a mostrar que o governo do Estado está debruçado sobre o combate à criminalidade. Mas precisamos de toda a ajuda, principalmente do Governo Federal. Alagoas é no contexto nacional, historicamente, um Estado onde a violência faz parte do cotidiano. Aqui antes de se resolver as pendências através do diálogo, do debate, até da discussão acirrada, apela-se para a violência e isto não tem nada a ver com genética. É cultural e precisa ser intensamente combatido. (*) É médico.

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