Opinião
O TGV, a sa�de e a educa��o
Tenho acompanhado com vivo interesse e com grande expectativa, as notícias sobre a implantação do TGV (trem a grande velocidade), que vai ligar Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Campinas e São Paulo. É um empreendimento quase comparado ao de Brasília, na época de sua construção, em termos de custos. Na realidade, é um megaprojeto, estando orçado em 33 bilhões de reais, vejam bem, em nível de hoje! A sua implantação levará de quatro a seis anos, mais ou menos. Desse modo, com os futuros reajustes, não ficará por menos de 50 bilhões de reais. Daí, se depreende a magnitude de tal investimento. Será um obra majestosa que engrandecerá o Brasil, fazendo com que ele se ombreie com os países mais ricos e desenvolvidos do mundo. Será o despontar de uma nação em grande desenvolvimento, pelo arrojo e a vontade política, sem sombra de dúvidas. Dizer que não é essencial seria uma negativa sem sentido. Porém, quando voltamos o olhar para os 14 milhões de jovens 13 a 15 anos sem saber ler nem escrever, isto é, analfabetos, o caos que a saúde vem enfrentando, por falta de políticas públicas de saúde, os hospitais caminhando para a falência, os ambulatórios sucateados, o povo com carência de medicamentos essenciais, os médicos sem uma remuneração digna, e o que é pior há mais de dez anos sem reposição das perdas que lhe são asseguradas pela Constituição, faz-se necessária uma reflexão sobre esse sonho. Com o salário que percebe, o professor universitário e o médico, de um modo geral, não pode atualizar sua biblioteca científica, não pode ir a Congresso, enfim, não acompanha os avanços mundiais da ciência. Do outro lado, o professor de nível médio que é importante para o ingresso do jovem na Universidade, necessita, também de um salário decente, de uma formação continuada, vistas a uma atualização constante. Não seria mais oportuno empregar-se metade dessa soma em educação e saúde? Acredito que sim, pois o desenvolvimento de uma nação está calcado na educação do seu povo.Todos os países que investiram na educação se desenvolveram com maior rapidez. Recentemente, a Ufal lançou um edital de concurso para professor com carga horária de 40 horas, com salário inicial de dois mil e quatrocentos reais. Um salário desses é humilhante! Ressalte-se que a culpa não é nossa, mas sim, do Ministério da Educação. Como é que se quer um desempenho laborativo eficaz ao lado de produção científica satisfatórios? A questão está posta. E a solução? Hoje, o Brasil não tem dez por cento de escolas profissionalizantes de que precisa! Caso se desse mais importância à questão, partir-mos-ia para a criação de maior número de escolas desse tipo, em cidades-polo, bem como para a oferta de mais cursos técnicos em vários segmentos, nas já existentes e expandir mais a universidade pública. Tiremos como exemplo o pré-sal e os estaleiros que se combinam numa comunhão necessária para o grande avanço de nossa Nação. Na verdade, ainda não temos a mão de obra qualificada para esse desafio. Urge uma tomada de decisão política para um investimento maciço. (*) É médico.