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Opinião

O cheiro do crack

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O clamor é geral, o tema é pauta em todos os lugares; não tem como calar ante uma realidade cruel que vivemos nos últimos anos e sem nenhuma perspectiva de estancar o rio de sangue que jorra pelas ruas das principais cidades de Alagoas, principalmente em Maceió. A violência é discussão obrigatória em casa, no trabalho, bares e restaurantes, escolas, transportes coletivos, templos religiosos, onde quer que estejam reunidas, pessoas assustadas se perguntam: o que fazer para nos proteger, preservar filhos e amigos da bala assassina de impiedosos bandidos que observam nossos movimentos na próxima esquina ou na porta da casa da gente? Não importa onde as pessoas estejam da área nobre à periferia, os riscos são os mesmos. Brutalmente morrem todos os dias gente de todas as glebas e idades, indistintamente homens, mulheres, crianças, jovens, principalmente jovens. Estamos rotulados como o maior provedor de crimes de morte do País e, como se não bastasse, ainda escolhem o modelo do assassinato: torturado ou queimado, esquartejado, degolado, cabeça exposta no topo de uma estaca qualquer em plena via pública, depende do humor do criminoso. Não, não é nenhum filme de terror, é real mesmo. Os crimes de morte mais macabros que se possa imaginar estão acontecendo em Maceió. Ficamos a pensar que a Segurança Pública está rendida, embriagada, contaminada pelo cheiro desgraçado do crack que impregnou bairros ricos, pobres, miseráveis. Verdade que nos últimos anos, a sociedade brasileira entrou no grupo das mais violentas do mundo. Violência em todos os sentidos, nas ruas como assaltos, sequestros, extermínios; violência doméstica, violência familiar e principalmente contra a mulher que tem sido vítima em potencial. O que fazer para amenizar o sofrimento de tantas famílias alagoanas que têm chorado copiosamente a perda das pessoas que mais amam como os filhos, por exemplo? É óbvio que polícia na rua, na pior das hipóteses intimida a proliferação da marginalidade, mas também sabemos que isso só, não resolve a gravidade do problema. Qualquer leigo entende que a violência é uma doença social que não será combatida a curto e médio prazo. Só políticas públicas consistentes que gerem condições de educação, saúde, emprego e renda, enfim, oportunidades principalmente para a grande maioria de jovens que aqui e em outras regiões do País está jogada à miséria e ao desprezo, vítima do descaso das autoridades, seduzida pelos encantos que o tráfico lhe oferece. Enquanto alguns estados tradicionalmente violentos conseguiram frear um pouco a ganância do crime. São Paulo, Rio e aqui pertinho da gente, Pernambuco têm encarado esse câncer com um prioritário projeto social e, ao que parece a coisa vem dando certo. Seria bom que aprendêssemos um pouco deles. (*) É publicitário.

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