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Opinião

Meu grande desafio

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Ao voltar da igreja de St. Martin in the Fields, o guia deu uma voltinha por Londres para que eu revisse alguns pontos interessantes da cidade. Na vinda, já havíamos cruzado o Piccadily Circus, fremente de jovens, em torno da vigilante estátua de Eros, o deus do amor, que se ergue no centro da praça. Em torno dela multiplicam-se as casas de diversões da capital. Já havia também, cumprimentado Nelson que, lá de cima de sua coluna, me espreitava silencioso. Agora estava em frente ao conjunto gótico que reúne o Big Bem, o conhecido relógio, cujas badaladas ressoam, há séculos, por toda Londres; a bela abadia de Westminster, que guarda em seus muros as lembranças dos grandes momentos nobiliárquicos e a memória dos homens ilustres que escreveram a história do Reino Unido da Grã Bretanha e ao admirável edifício do Parlamento que reúne as câmaras dos Nobres e dos Comuns. Do outro lado do Tamisa via-se a silhueta inconfundível do Palácio Lambert que abriga todos os prelados e onde se hospeda o Bispo de Cantuária quando vem a Londres. Ao voltar ao hotel passei pelo palácio que pertenceu ao duque de Wellington, que venceu Napoleão na batalha de Waterloo, hoje museu, e pelo bairro chique de Mayfair. Amanheci com uma vontade louca de testar minha cadeira. Resolvi ir de Marble Arch que fica na extremidade do Hyde Park, na Oxford Street, até a Brompton Road, onde se encontra a mais luxuosa loja de departamentos de Londres, a Harrods. Disseram-me que seriam duas milhas e meia, a distância a percorrer. Seria possível chegar lá no meu veículo? Iria tentar! E saí animada pelos caminhos do parque, apreciando as frondosas árvores que se acumulavam pelo meu caminho e os belos monumentos que, de vez em quanto, me surpreendiam com sua graça. Animada e feliz fui percorrendo a longa estrada até que cheguei quase ao final, Green Park. Havia bosques por todo lado o que me confundia. Fiz indagações aqui e ali e consegui chegar, vitoriosa, ao meu destino. A bateria da cadeira nem deu sinal de desgaste! Visitei a suntuosa loja, fiz umas comprinhas e almocei no seu elegante Georgian Restaurant. Lindo! Decorado com enormes jarras de flores mescladas. A louça era da mais fina porcelana inglesa e os copos de cristal lapidado. Comi o que havia de mais elegante na cozinha internacional e bebi magníficos vinhos, tudo isso ao som de um conjunto de cordas tocando suaves canções eruditas. Parecia estar sonhando! Depois de percorrer as sofisticadas lojas da Brompton Road, cheias de transeuntes, resolvi voltar ao hotel no ônibus com acesso a deficientes que me ensinaram. Tanta gente se prontificou a me auxiliar que eu, até, me emocionei. Minha carência me tem feito conhecer um mundo super-solidário que me encanta! Mas foi facílimo! (*) É escritora.

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