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As chuvas de sempre

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Mais uma vez, um mote recorrente inspira este comentário: as enchentes de sempre, com semelhantes prejuízos nas mesmas áreas. Alagoas é uma terra rica em águas. O nome próprio de nosso Estado não nos deveria permitir esquecer de que a água é vida e paraíso apenas quando é bem tratada, respeitada. As águas exigem apenas que nos harmonizemos com elas. Há séculos sabemos quando chove mais, quando chove menos, quando os rios e lagoas enchem, quando secam. Por que as chuvas sempre nos pegam desprevenidos? Sabemos, há séculos, que as margens dos rios, riachos, lagoas e até mesmo as beiras dos açudes artificiais são dinâmicas, são áreas naturalmente alagáveis, perímetros nos quais é certa a inundação quando das cheias. E as cheias não são acidentes. São fenômenos naturais, manifestações recorrentes. Basta chover e as águas reclamam seus leitos de expansão. Simples assim. Complexas são as justificativas, explicações e tergiversações destinadas a fazer passar como surpresa as previsíveis enchentes. A cada chuva mais forte, as cenas são as mesmas: casas alagadas (por construídas nas áreas de risco), pontes e estradas são danificadas (por ausência de obras preventivas). Depois de cada chuva mais forte, os problemas são idênticos: abrigar os flagelados, reconstruir o destruído. O único alento nesse ciclo é quando a providência Divina faz-se misericordiosa e evita as perdas humanas. No mais, no tocante à mão humana, a inércia e a imprevidência enlaçam-se em benefício das tragédias. Resta-nos torcer para que este período naturalmente chuvoso nos seja clemente e generoso. E nos resta também cobrar dos poderes públicos medidas preventivas executadas com rigor e proficiência, como parte de planos estratégicos, objetivos e simples, como objetivas e simples são as regras da Natureza.

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