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Opinião

Patologia social

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Gosto de Paris. Quando secretário de Educação, passei 40 dias na França estudando o sistema educacional, a convite do governo daquele país. Admiro sua cultura e educação. Mas, confesso, gostei da Noruega, principalmente de Oslo, sua capital, onde estive em trânsito turístico durante uns poucos dias. Não me canso de repetir que esse é um dos países de melhor qualidade de vida do planeta. E há, em sua gente, muita cordialidade com os estrangeiros; há, nas pessoas que conheci, afável simplicidade. Quando ouvi a primeira notícia sobre o violento atentado perpetrado por um franco-atirador, julguei tratar-se de um local nos Estados Unidos. Estava errado. O ato de extrema violência havia ocorrido no país que abriga o prêmio Nobel, sempre incentivando a paz. Nos anos 60, filósofos apontaram o nazismo e o fascismo ? e sua lógica destruidora ? como uma patologia social. A análise desses pensadores apontava para os delírios paranoicos no conteúdo político. Como vemos, suas análises não perderam a validade. O cruel e desnaturado atirador de Oslo agiu sozinho, mas ele não está sozinho em suas ideias, pois há uma legião mundial de extrema-direita, que impregnou suas ideias em jovens de muitos países. E, nesse caso, é ainda mais assustador, pois a ideologia que parece ter guiado o monstro de Oslo tem como acréscimo ao nazi-fascismo um ingrediente religioso. Contudo, qualquer atribuição de culpa ao movimento cristão, como crença, é altamente irresponsável, já que matar um único ser humano é conduta condenada por qualquer linha cristã, quem dirá um massacre de quase uma centena de humanos. Trata-se de uma intolerância política ou racial que tem encontrado suas formas patológicas de resolver conflitos, fora do espaço da discussão racional. Louco, esquizofrênico, paranoico, fundamentalista, terrorista, qualquer que seja a indicação dessa mente doentia do norueguês homicida, motivou seu ódio extremo contra a humanidade. Acumulou em seu corpo-mente células malignas e desintegradoras que resultaram numa grave patologia social. Reflexão do teólogo Dias Lopes; ?Não é fácil lidar com a dor. Nossos sonhos chocam-se contra muralhas de concreto. Nossos planos escorrem como água. Nossas previsões entram em colapso. Estamos no meio do deserto onde nosso olhar se perde em miragens enganadoras, onde nossos passos cambaleantes parecem claudicar?. A crise chegou. A atitude de como enfrentá-la é ainda difícil de se imaginar. É lamentável que em pleno século XXI encontremos ações dessa natureza, que magoam e se repetem em numerosas regiões do planeta. Entretanto, a vida é um recomeço, sempre. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.

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