Opinião
Ressocializando
Grande problema em todo mundo e especialmente grave no Brasil, a ressocialização de apenados está longe de ter uma solução efetivamente satisfatória. Até por este motivo vale a pena dar o devido destaque a toda tentativa de avançar neste caminho. Pelo anunciado, entra em funcionamento hoje o Núcleo Ressocializador da Capital, instituição que ocupa os espaços do que foi o Presídio Rubens Quintella. Muitos são os pontos a debater e profundas são as polêmicas sobre o sistema prisional brasileiro. Superpovoada em praticamente todos os Estados, a rede de presídios brasileiros é tida como uma teia de perdição, onde, na imensa maioria dos casos, não passam de depósitos de gente sem esperança. A desesperança dos apenados é um dos catalizadores do processo de aprofundamento das tendências criminosas e do fortalecimento das gangues internas que, de dentro das grades, chegam a assumir o controle das ações de quadrilhas em plena atuação fora dos presídios, além de exercerem grande poder sobre a vida dos presidiários. A insuficiência das ofertas de trabalho produtivo para os apenados é outro elemento de grande força no arraigamento dos vícios. Sem nada que fazer durante o dia todo, todos os dias, o ócio improdutivo desempenha o papel de caldo de cultura fertilíssimo para a deterioração moral e social de quem está pagando pena. É extremamente positiva a instalação de um núcleo destinado a ressocialização dos presidiário alagoano. Naturalmente este centro estará vinculado a propostas de ocupação produtiva do tempo até então ocioso do apenado. Educação e trabalho são ferramentas indispensáveis para qualquer esforço de reintegração social da pessoa reclusa em cumprimento de pena. Espera-se que a experiência em tela não apenas dê certo como seja capaz de reproduzir-se em outros centros semelhantes.