Opinião
Nova ortografia: Senado e MEC estupefatos e inativos
Recebemos dezenas de consultas diárias sobre a nova ortografia e já respondemos milhares aos internautas. Nesse trabalho, constatamos a dúvida e a indefinição pairando por sobre estudantes e professores de língua portuguesa. A título de exemplo, eis uma pergunta recente que nos chegou por intermédio do globo.com, site em que também esclarecemos dificuldades: ?Qual a forma correta, segundo a reforma ortográfica, co-herdeiro ou coerdeiro? Essa pergunta justifica-se em vista das variações nos livros em que consulto. No livro do Cegalla (atualizado) verifica-se o emprego de co-herdeiro enquanto no ?Guia prático da Nova Ortografia?, coerdeiro.? Resguardando a redação original e a privacidade do internauta, respondemos assim: ?Prezado Fulano. Segundo o Acordo Ortográfico: 1. antes de h, usa-se hífen: proto-história, anti-herói, super-homem... 2. elimina-se o h e o hífen, se antes do h houver os prefixos des e in. A lei em vigor (Decreto 6.583 da Presidência da República, de 29 de setembro de 2008), que promulga o Acordo Ortográfico, determina, em seu Art.1 º, que o referido Acordo ?será executado e cumprido tão inteiramente como nele se contém?, por isso a grafia correta é co-herdeiro, tal qual apontada pelo Cegalla e outros autores e professores que obedecem ao texto original?. Essa é apenas mais uma confusão criada porque a Academia Brasileira de Letras (ABL) , na 5ª Edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), propondo-se a adaptá-lo ao Acordo, na realidade extrapolou o acordado, acrescentando aos prefixos de comportamento excepcional des e in, outros três: an, co, re. Com isso, o conflito: o Volp aconselha anidro, coerança, reumanizar. A lei (o decreto presidencial) determina an-hidro, co-herança, re-humanizar. Para quem não sabe, o Volp tem sido historicamente o orientador, ?respeitado como se tivesse força de lei?, para esclarecer todas as dúvidas sobre ortografia, apesar de sua superficialidade e improvisação gerarem insatisfações profundas e desilusões amargas nos pesquisadores mais consistentes. Não obstante, era seguido servil e mudamente. Como tínhamos acabado de entrar na estranha situação de que quem segue o Volp afronta a lei, restou-nos a contra-gosto e com certo constrangimento o seguinte raciocínio: ?O melhor para o cidadão é cumprir o seu dever de respeitar a lei: an-hidro, co-herança, re-humanizar... até que o Congresso Nacional se pronuncie, pois o Art. 3º da referida Lei reza: ?São sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que possam resultar em revisão do referido Acordo??. E o Congresso Nacional sequer foi consultado sobre essa e outras desobediências legais praticadas pelo Volp, tais como: Segundo o acordo deve-se grafar com hífen: re-eleição, pré-eleição; pelo Volp, grafa-se sem hífen: reeleição, preeleição. Mas inconsistente e ilogicamente prega o Volp: preeleger, só sem hífen e sem acento, mas pré-eleitoral só com hífen e com acento; contudo estão corretos com ou sem acento, com ou sem hífen pré-eleição/preeleição e pré-eleito/preeleito. Que confusão! Que falta de parâmetros! Que falta de lógica! (*) É professor.