Opinião
Adam Smith e o tea party?
É consenso que o irlandês Adam Smtih estabeleceu as bases da ciência da economia por meio da obra A Natureza e as Causas das Riquezas das Nações .Mesmo assim,outro economista muito influente do século passado,Joseph Shumpether,alardeou que a obra de Smith ?não tinha uma única ideia, princípio ou método que já não fosse conhecido em 1776?. A aguerrida contraposição de Shumpether não diminuiu a contribuição histórica de Smith, apenas reforçou a premissa de que mesmo os grandes inovadores raramente são originais em sua integralidade. Eles juntam novas ideias e as apresentam com coerência em um momento do tempo em que elas são necessárias e aceitáveis. Sem Adam Smith dificilmente a economia poderia ter alcançado o status atual, mesmo que muitos estudiosos lhe vejam mais desacertos que acertos. A questão aberta hoje, como ferida braba supurante, é se a economia política,suporte que todos os governantes precisam usar para se manter no poder é realmente uma ciência? A maioria das ideais de Smith vem de seu amigo David Hume, particularmente da noção de simpatia; que seria a propensão dos seres humanos a se interessar pelo bem-estar dos seus semelhantes. A pedra de toque da política econômica deveria ser a conquista da felicidade coletiva. O homem deveria ter perfeito comando de seus bons e maus sentimentos e se devotar aos sentimentos simpáticos dos outros. Ele insistiu que a riqueza nascia não dos mercantilistas, mas da divisão do trabalho. Smith foi entusiasta do mercado até quase ao final da vida, quando, profeta engajado, mas pragmático, declarou sua polida repugnância pelo capitalismo, modelo selvagem. O que ocorreu agora no Congresso norte-americano durante a aprovação do aumento da dívida pública o faria vomitar. Afinal, o pega pra capar entre os congressistas da maior nação democrática do mundo foi digno de uma republiqueta caribenha; dessas mostradas com deboche em filmes menores de Woody Allen.Nesta pantomima terceiro mundista, ponteou como epicentro do mau-caratismo (ou neomacartismo?), da radical irresponsabilidade,da brutal inconseqüência, o ?tea party?,conglomerado de extremistas de direita,em franca proliferação --- eles tem muito a ver com este ?crash? das bolsas internacionais. Eles são incultos, rústicos, às vezes genocidas como o alienado terrorista da Noruega.E tem espaço crescente, o que maximiza a importância de uma democracia como a americana, mesmo com seus defeitos e mazelas. Ela ainda é a esfera de influência menos nociva para se atrelar os anseios e expectativas globais. (*) É médico.