Opinião
Sem teto, nem piso
Dois telhados desabaram ao longo da semana finda ontem. Quem sabe poderão mais tetos terem ruído, mas essa dupla chamou a atenção por dois fatos de inquestionável importância pública. Os telheiros vindos ao chão eram de uma escola e de uma casa tombada. As reformas nas escolas em Alagoas exigem acompanhamento rigoroso, pois não é de hoje que sobrevém problemas pós-obras. Muito dinheiro público é investido, com justeza de foco, para manter os educandários em boas condições de uso. Desperdiçar esses recursos é um crime e crime muito maior é arriscar a vida de crianças em função de erros de construção. É caso de cadeia, se comprovada a culpabilidade ? lógico. Os antigos imóveis, merecidamente tombados, precisam de algo além do atestado de serem objetos do patrimônio urbano. Seus ocupantes, seus proprietários, necessitam de incentivos para mantê-los em ordem. Não é barato nem simples conservar imóveis seculares. Vistoriar as escolas com mais rigor faz-se necessário e urgente. É ato tão importante quanto fechar as torneiras da indústria dos aditivos. Contatada a obra por um preço justo, faz-se indispensável garantir sua entrega dentro dos prazos, de acordo com a qualidade do material utilizado, e alinhada com todas as normas de segurança. Incentivar (via descontos no IPTU, empréstimos subsidiados, etc.) a conservação dos imóveis tombados é uma necessidade cidadã. Quanto mais velho, mais caro sua manutenção. Em verdade, ao invés de um prêmio, ao ter um imóvel tombado, o proprietário recebe algo mais parecido com uma punição. É como se o cidadão fosse condenado a uma pena eterna por ter um bem de valor histórico. Tudo isto precisa mudar. Nos dois casos faz-se necessário novas bases para sustentar não só os telhados mas o conjunto da obra.