Opinião
Pequeno como semente; grande a ponto de dar abrigo...
Já há dois números desta Gazeta, encontro-me às voltas com o capítulo 13 do Evangelho segundo São Mateus, repartindo com você, meu leitor, algumas meditações sobre as parábolas do Reino dos Céus ? esse Reino inaugurado por Jesus nosso Senhor, e que não começa nem se sustenta fora de nós, mas está primeiramente em nós, quando nos abrimos para Deus ? o Deus de Jesus ? e deixamos que ele reine efetivamente na nossa vida. Se estiver em nós, o Reino estará entre nós; se estiver entre nós, manifestar-se-á em tudo quanto construamos de relações pessoais e sociais. Mas, é em nós, dentro de mim e de você, que o Reino se decide, de modo que não entrará no Reino quem não deixar o Reino entrar em si primeiro. O Reino em nós é o que se chama santidade! Mas, vamos a mais uma das parábolas de Jesus, a terceira, a do grão de mostarda! ?O Reino dos Céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. Embora seja a menor de todas as sementes, quando cresce é maior do que qualquer hortaliça e torna-se árvore, a tal ponto que as aves do céu se abrigam nos seus ramos?. Então, é assim? O Reino não é grande, vistoso, potente, como esperávamos, como gostaríamos? Quer dizer que ele, já realmente presente no mundo, é pequenininho como uma semente menor que o coentro? Quer dizer que ele não se mostra primeiro nos megaeventos, nas grandes realizações, nos shows de pirotecnia, nos nossos grandes projetos ou nos moldes dos poderes do mundo? Ah, que Reino escandaloso, doloroso, difícil de aceitar! Ele se manifesta no que é pequeno, no que é simples, no dia a dia! Desde Jesus, ele está aí... E vai crescendo, e vai crescendo sempre, de um modo que só Deus sabe... Mas, que ninguém se iluda: ele não pode ser destruído: no tempo certo ? tempo de Deus! ? ele estará tão grande, tão frondoso, que até as aves dos céus, isto é, toda a humanidade, poderá aninhar-se nele! Essa sementinha é capaz de crescer, tem o vigor do Espírito de Deus e vai sim, ser uma árvore frondosa... Veja, meu caro leitor, como é difícil, porque escapa aos nossos cálculos, escapole de nossos prazos, extrapola e desmoraliza a nossa lógica! Se o Senhor Jesus, nosso bendito Salvador, não nos converter, nós desistiremos, nós não veremos nada, não compreenderemos a dinâmica do Reino que ele implantou! E, no entanto, este Reino está aí, batendo à minha porta, suplicando pela boca de Jesus, que eu deixe Deus reinar efetivamente na minha vida... Reino tão forte porque tem a força de Jesus, e tão frágil porque eu posso matá-lo na minha vida... Tenha paciência, leitor amigo, mas ainda continuarei no próximo número... (*) É bispo auxiliar de Aracaju-SE.