Opinião
Solidariedade p�blica
Cidadão desinformado é cidadão vulnerável. No caso do Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores em Vias Terrestres (DPVAT) a desinformação, aliada à emoção da dor pelo sinistro ocorrido, transforma-se, ao longo dos anos, num asqueroso caldo de cultura onde pululam vigaristas de todo tipo. Pelas estatísticas do Departamento Estadual de Trânsito, 79% das vítimas de acidentes no trânsito não reclamam seus direitos junto ao DPVAT. Como a vigarice atua sobre a reclamação, presume-se que dos 21% restantes muitos sejam assaltados, resultando num número ínfimo os que de fato e de direito recebem integralmente o que a lei determina. É doloroso saber que a maioria das famílias vitimadas simplesmente deixa de receber o que têm direito graças à desinformação. E, insistimos: não se trata apenas de desinformação. Na azáfama de resolver os múltiplos problemas decorrentes de um acidente com vítimas, sob o impacto de forte emoção, dificilmente os familiares lembram-se de cobrar a indenização que lhes é devida. O que fazer para minorar esse problema? Campanhas permanentes são importantes. Mas mesmo uma boa campanha enfrenta o obstáculo da emoção. O mais justo seria o poder público tomar a iniciativa de procurar os familiares das vítimas. Quando um cidadão atrasa (por quaisquer motivos) o recolhimento de um tributo a mão forte do Poder Público não se faz sentir imediatamente? Por que essa mesma mão poderosa não vem em auxílio do cidadão vitimado? Por que esperar que a vítima venha a lembra-se de seu direito? Deveria ser dever do Estado chamar a atenção da vítima (ou seus familiares) de um acidente automobilístico. A solidariedade deveria ser marca constante do Poder Público. Eficiência não pode ser apenas para cobrar; socorrer também deveria ser prioridade.