Opinião
Nosso cruzeiro pelo Mar B�ltico
Vou tomar o transatlântico da Cia. Royal Caribbean, o Jewel of the Seas, em Harwish, cidade inglesa, que fica a duas horas de Londres. Contratei um serviço de traslado em carro que me levará até lá. Aprecio a perfeição da estrada e a beleza das margens sempre cobertas de vegetação ou áreas de pastagens para animais. Há muitas plantações de árvores. A preocupação em refazer os bosques é evidente em muitos lugares da Europa. O brasileiro, na sua irresponsabilidade, destrói as matas, ignorando o mal que faz à natureza, mas o europeu procura reconstituí-las consciente do seu valor para a conservação de nosso planeta. Foi muito fácil ingressar no navio, pois todos os documentos necessários já haviam sido apresentados por internet. O Jewel of the Seas é igual aos outros transatlânticos de porte médio da mesma companhia, nos quais já viajei outras vezes. Com capacidade para dois mil e quinhentos passageiros. Sempre suntuosos e confortáveis. Minha cabine fica na ponte da recepção e do restaurante. Ampla, com a porta automática para abrir e fechar, facilitando o acesso à cadeira de rodas. Ótima! Às 18h30 deixamos a Grã Bretanha em direção à Dinamarca. Viajamos durante toda noite e todo o dia seguinte para lá chegar. Mas não faltaram distrações a bordo: bingo, cassino, jogos esportivos, piscinas de todos os feitios e, à noite, um belo show de balé, no teatro. Depois danças e orquestras com ótimos cantores em vários salões e, ainda, brincadeiras. Afinal aportamos em Copenhagen, capital da Dinamarca, depois de contornarmos algumas ilhas que formam esse simpático país. Fica na de Zealan. Sua história data de 1157, quando era, apenas, uma vila de pescadores chamada Havn. Com a construção de uma fortaleza pelo Bispo Absalon, tornou-se um importante porto comercial, dada a sua situação na entrada do Mar Báltico, rota importante para a Europa Medieval. Em 1397 a Rainha Margrethe I promoveu a união entre Dinamarca, Suécia e Noruega. Era o Reino das Três Coroas, o maior império viking da História. Com o Rei Cristiano IV o florescimento da indústria e do comércio foi notável e seu domínio se estendeu até as Índias Orientais. Muitas construções belas que visitamos em Copenhagen datam dessa época: a bolsa de valores, o Castelo de Rosenborg e a Torre Redonda. Apesar dos incêndios que sofreu em 1728 e 1795, além dos ataques dos britânicos que destruíram uma parte da cidade, Copenhagen prosperou. No século 19 a Dinamarca teve sua época de ouro com o florescimento das artes.Na Segunda Guerra Mundial foi ocupada durante 5 anos pelos alemães. As forças de resistência dinamarquesas tiveram uma atuação heróica e conseguiram libertar sete mil judeus que enviaram para a Suécia. Em 1949, a Dinamarca entrou para a OTAN. É governada por uma monarquia constitucional e há 400 anos sua linhagem real é contínua. O parlamento é moderno tanto na política como socialmente. Copenhagen é uma cidade elegante, sua arquitetura é majestosa e sua gente educada e amigável. (*) É escritora.