Opinião
Inoc�ncia roubada
Tristíssimo acontecimento, o assassinato do garoto Pedro Gabriel, de apenas quatro anos de idade, tem o poder de chocar a todos pela crueza do ato e por reafirmar a vulnerabilidade que fragiliza todos os segmentos sociais alagoanos. Pelo que foi divulgado pela mídia até agora, o incidente igualmente reafirma a desenvoltura crescente dos bandidos em Alagoas. Assim como a banalidade do homicídio. Ao imaginar que estaria sendo seguido os acusados não pensaram duas vezes, simplesmente atiraram. E uma vida inocente foi roubada. O episódio, por outro lado, alerta para um cuidado indispensável em qualquer parte do mundo: Quem persegue, quem enfrenta bandidos é a polícia. Mesmo involuntariamente, é temerária e irresponsável qualquer tentativa de substituir a força policial. Também pelo fartamente noticiado, o advogado não pretenderia seguir os acusados do assalto, apenas estaria socorrendo uma vítima quando topou com os suspeitos. Mas, em se tratando de segurança pública, é publico e notório ser pouco todo cuidado. Evitar que qualquer ação seja confundida com reação direta a bandidos é uma questão de sobrevivência. Desgraçadamente confirma-se, a cada tentativa (proposital ou acidental) de reação, que os criminosos não temem matar. Estão sempre bem armados, fartamente municiados, atuam em equipe e, uma vez presos, quase sempre estão rapidamente de volta às ruas. No caso específico da tragédia sertaneja, o suspeito de ter atirado na criança (e no pai do menino) é um fugitivo do sistema penitenciário que, supostamente, estaria cumprindo pena no sistema semi-aberto. A transitoriedade das penas, o encurtamento das penalidades, as dificuldades para prender os acusados são elementos perniciosos que atuam contra a segurança de toda população. A morte do menino Pedro Gabriel, mais uma vítima inocente, deveria forçar a sociedade a repensar, dentre outras coisas, nosso sistema penal.