Opinião
Evangeliza��o versus Comunica��o 2
Começo este segundo artigo sobre o tema do título, repetindo o ensinamento de Bento XVI, com o qual concluí o primeiro artigo: ?A igreja precisa urgentemente saber utilizar esses meios de comunicação, para poder evangelizar o homem de hoje, sobretudo os jovens?. O jesuíta Antonio Spadaro, diretor da ?La Civiltà Cattolica?, afirmou no Seminário dos Bispos sobre comunicação: ?A internet (que ele chamava sempre ?a rede?, que é a rede mundial de computadores) não é um meio, é um espaço onde vivem as pessoas. Faz parte do nosso cotidiano. E quanto ao emprego dos meios de comunicação na liturgia, ele explica em artigo de sua revista, apresentado no citado Seminário: Pensemos para começar, dizia ele, no surgimento do microfone. O microfone cria uma espécie de nuvem sonora, que envolve todos os participantes; uma nuvem esférica, cujo centro está em toda parte e a circunferência em nenhum lugar. Depois do microfone, veio o rádio, que transmite o ato litúrgico para o mundo inteiro. Depois a televisão, que nos permite assistir em Maceió a missa de Natal que o Santo Padre celebra em Roma, na mesma hora, ou em horas depois, porque gravada. Hoje usa-se com frequência dos vários meios que a tecnologia nos oferece, para orar em comum e fazer outras práticas de meditação pela televisão e pela internet. O próprio Santo Padre abençoa, de Roma, os fiéis do mundo inteiro, concedendo-lhes até indulgência especial pela televisão. O salesiano Gildásio Mendes, de Campo Grande, naquele Seminário para os bispos, indagava: ?Como a Igreja Católica, por meio de seus líderes, no contexto das mudanças culturais e comunicacionais, pode organizar-se melhor para evangelizar e educar homens e mulheres que vivem na sociedade das grandes transformações culturais, provocadas pelas novas tecnologias?? E dava uma primeira resposta que depois desenvolveu: ?A verdadeira mudança que está acontecendo na sociedade atual não é tecnológica, mas humana. O que estamos presenciando, na chamada era da informação, não é uma revolução digital, tecnológica, mas relacional. Dentro desse novo contexto de mudanças e buscas por relações humanas, de novos estilos de vida, de expressão da subjetividade, das buscas por relacionamentos interpessoais e a afirmação dos valores recebidos, a Igreja como instituição tem a grande oportunidade para se aproximar, dialogar, interagir para evangelizar as novas gerações, que crescem e vivem na chamada cultura midiática, que são e serão os cristãos atuantes nas comunidades de amanhã. A partir dessas assertivas, pode-se chegar a algumas orientações para fortalecer a comunicação de uma diocese, de uma paróquia, de uma escola ou de qualquer comunidade eclesial. ? A conclusão é quase obrigatória: a igreja tem que utilizar dos modernos meios de comunicação para anunciar a verdade de Jesus Cristo para o homem de hoje. (*) É arcebispo emérito de Maceió.