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A import�ncia dos jornais

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A faxina que a presidente Dilma vem fazendo na Esplanada dos Ministérios em Brasília, iniciada nos Transportes, passando pela Agricultura e agora no Turismo, é uma tarefa digna de Hércules, quando precisou desviar o curso do rio para limpar as estrebarias do rei Agias. Depara-se a presidente com obstáculos hercúleos: o tal governo de coalizão, verdadeiro saco de gatos, que aglutina uma gama de partidos dos mais heterogêneos, onde a ideologia predominante é unicamente o usufruto do poder. Pragmáticos e vorazes em seu apetite por verbas e cargos, canibalizam-se entre si sem constrangimentos maiores. Paralelamente, a Policia Federal mostra seu fervor messiânico na prisão dos supostos corruptos, e mesmo sem o ministro da Justiça estar sabendo, distribuiu algemas a granel. Se, por acaso, existirem inocentes entre os presos, como reparar? A base aliada ferveu indignada;afinal: quem manda na Policia Federal? Quem os protege? Sedimenta-se o dilema de Dilma: precisa fazer uma limpeza básica no poluidíssimo ministério, mas dificilmente contará com o apoio necessário dos aliados. Entre estes, poucos têm a ganhar, muitos têm a perder. Caso insista nesta limpeza de estrebarias, vaca tende a não reconhecer bezerro. A presidente encontra-se refém do Congresso: para governar precisa ?adequar-se? às demandas fisiológicas das estrebarias; perdão: dos partidos aliados. Este cenário adverso ameaça complicar-se com o agravamento da crise econômica internacional, o que trará agravos suplementares. Engessada, precisa mais do que nunca da opinião pública estar bem informada, para compensar a falta de o apoio dos políticos. A boa nova vem da Associação Nacional de Jornais (ANJ),que divulgou números semelhantes ao Ibope: entre 24 e 42 milhões de brasileiros leem jornal diariamente. Em um universo de 157 milhões de alfabetizados, é um número relevante. Sem contar os milhões que acessam os sites destes jornais. Comparando com os programas de televisão, a soma de jornais lidos diariamente no Pais, ultrapassa os programas de televisão de maior audiência,aqueles que puderiam alcançar 43 pontos no Ibope, o que não é pouca coisa: até há pouco alardeava-se o fim da imprensa escrita. E isso é muito importante. Além da possibilidade de aprofundamento das matérias ser maior nos jornais, o recente episódio de uso criminoso do jornalismo na Inglaterra, pelo News of Word, denunciado pelo Guardian, mostra que os jornais praticam um mecanismo de autorregulação e auto-depuração permanente,procedimento fundamental na liberdade de imprensa e na consolidação da democracia. (*) É médico.

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