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Sejamos pais, mas continuemos filhos

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Em texto sem autoria, já publicado no Gazeta Digital, intitulado Pai, começa o começo, um filho pede ao pai que faça o primeiro rasgo na casca de uma tangerina, coisa difícil para as pequenas mãos de uma criança. Às vezes, além de começar, continuava descascando para facilitar o trabalho que teria o filho. Naquele gesto singelo, aos poucos, ele foi aprendendo como descascar outras cascas, essas mais duras, que encontraria pela vida. Certamente, quando tangerinas se transformassem em gigantes abacaxis. Diz o anônimo que seu pai falecera há tempos e, mesmo não sendo mais criança, ansiava pela sua presença ao seu lado para começar o começo de muitos desafios encontrados pela vida. Ausente, o pai continuava sendo a motivação maior e inspiração para suas pelejas. Acima de tudo, já adulto e talvez com filhos, vivia a saudade dos tempos de criança e das lições paternas que recebera. Diferentemente, um curta-metragem mostra, num banco de jardim residencial, um senhor idoso e outro de meia idade. Enquanto o filho lê jornal o pai contempla, absorto, as ramagens de um frondoso arbusto. De repente, um passarinho pousa em um galho e começa a piar. O velho olha e quiçá, lembrando alguma passagem de sua longeva vida, pergunta ao filho o que é aquilo. Prontamente, o companheiro responde-lhe: ?pai, é um pequeno pardal?. Passados alguns poucos segundos e tendo o passarinho voado de um galho para outro, o idoso volta a perguntar: ?o que é aquilo?? Já demonstrando um pouco de impaciência, mais uma vez diz que é um pássaro, um pardal. Em outra vez, o pequeno pardal desloca-se para o chão, bem próximo dos dois, cantando. Mais uma vez o pai pergunta: ?o que é aquilo??. Agora, sem nem um pouco de paciência, asperamente, interrompe sua leitura e apontando, diz: ?Já não lhe falei que é um pardal, um p-a-r-d-a-l!?. Neste momento o velho encaminha-se para a casa e algum tempo depois retorna com um diário nas mãos. Senta-se e folheia, procurando o que lhe era de grande utilidade naquele momento. Achando, coloca o volume nas mãos do filho e apontando para o escrito, pede que leia em voz alta. ?Um dia estava no jardim de nossa casa com meu filho caçula de três anos quando pousou um pássaro e ele perguntou o que era aquilo. Respondi-lhe ser um pássaro. E nas vinte e uma vezes que me inquiriu, abraçando-o pacientemente disse-lhe ser um pássaro?. Terminada a leitura, o filho, já com lágrima nos olhos, abraça o pai e beija-lhe a face. Mesmo sendo pais, nunca devemos deixar de ser filhos. (*) É bacharel em Economia ([email protected]).

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