Opinião
Afronta criminosa
Como já escrito aqui antes, o descalabro com a segurança pública não é prolema estritamente estadual. E não só o Judiciário, o governo e a população do Rio de Janeiro que estão sendo afrontados pela criminalidade. Em Alagoas, o Judiciário, o governo e a população alagoana estão sendo seriamente afrontados pelo assassinato do Subtenente PM José Roque Carlos. No caso carioca, a juíza Patrícia Acioly foi trucidada de forma brutal, covarde e insultuosa. E a sociedade ainda aguarda resultados da investigações sobre o crime. Na ocorrência alagoana o subtenente foi fuzilado à porta de um órgão da Escola da Magistratura de Alagoas. Igualmente mais esse assassinato está envolto em interrogações. Em ambos os crimes a mensagem é a mesma: nem a magistratura, nem a polícia, nem ninguém está a salvo da sanha criminosa que assola o Brasil. Mas, ao contrário do Rio de Janeiro, onde as simpatias e a pressão positiva da mídia nacional contribuem para uma maior agilidade na apuração das ocorrências, a dramática realidade alagoana fica ainda mais difícil pela reconhecida incapacidade da estrutura da segurança pública em construir reações à altura da ousadia dos criminosos. Ou seja: estamos ainda mais solitários e vulneráveis que a população carioca. Os poderes públicos alagoanos precisam, portanto, ter mais agilidade, unidade e muito mais eficiência em reagir ao banditismo. É indispensável uma reação digna ao atrevimento, ao insulto criminoso de assassinar um Policial Militar em serviço, alvejado nas dependências de uma instituição emblemática da magistratura alagoana. Cobrar um resultado exemplar também para este caso não é defender nenhum privilégio para o Judiciário nem para a PM, trata-se de uma simples e indispensável ação de cidadania.