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Opinião

Pelo desassoreamento das nossas lagoas

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A recorrente inundação de bairros da parte baixa de Maceió soa novamente um alerta aos gestores públicos de Alagoas: nossos rios e lagoas agonizam e pedem socorro. A degradação dos fluxos hídricos não é recente no Estado e se aprofunda a cada ano, em especial pelo processo de assoreamento, que é a redução dos fluxos hídricos causada pela obstrução contínua das águas por sedimentos em geral. O assoreamento nas bacias dos rios Mundaú e Paraíba tem se intensificado principalmente pelo desmatamento indiscriminado e pelo uso intensivo do solo, ações que aceleram as erosões. Transportados pelas águas fluviais, os sedimentos acumulam-se também nas lagoas Mundaú e Manguaba, aumentando o nível de terra submersa e contribuindo para ampliar os níveis de enchentes como a ocorrida em junho de 2010. Aliada ao grande volume pluviométrico registrado nas cabeceiras dos rios, a diminuição da profundidade dos cursos fluviais, decorrente do processo de assoreamento, provocou correntezas com forças acima do normal, capazes de destruir cidades ribeirinhas inteiras. Em Maceió, bairros como Trapiche, Bebedouro e Vergel do Lago também ficaram completamente submersos com a rápida elevação das águas lagunares. O assoreamento é apontado ainda como uma das principais causas da mortandade de peixes e da redução drástica do nosso sururu nas lagoas. Claro, entre as causas relevantes para o fenômeno também estão o transporte de lixos para o complexo lagunar a partir das chuvas e o despejo irregular de esgotos. Um passa pela conscientização e educação da população; o outro, por ações efetivas de saneamento. Ambos, por sua vez, já fazem parte do programa estratégico de infraestrutura em implantação pelo governo estadual. Entretanto, é preciso mais. É preciso empenho para um trabalho profundo de desassoreamento das lagoas, além da implantação de um sistema de barragens nos rios. Estima-se que a última dragagem nas lagoas foi realizada há quase 30 anos. Já desenvolvemos os projetos e lutamos por recursos do governo federal, necessários pelo alto custo de implantação. Somado a tudo, vamos receber em 2014 uma Copa do Mundo em pleno inverno e precisamos evitar novas tragédias. O grito de 2010 certamente não foi o primeiro, mas veio com força capaz de atingir a mais de 100 mil pessoas no Estado. Certamente, os esforços dos poderes públicos continuam sendo imensuráveis para restabelecer a paz às famílias atingidas. Mas é preciso ir além: é preciso ouvir as águas e atuar de forma preventiva. (*) É secretário de Estado da Infraestrutura de Alagoas.

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