Opinião
O retirante que virou fen�meno
No século passado, por volta de 1952, aos sete anos de idade, ele subia num pau de arara e deixava para traz o chão batido e sem esperança do Sertão nordestino. Acompanhado da mãe e irmãos sofreu doloridos solavancos por longos 13 dias da dura viagem com destino a terra prometida. Com rapadura, banana, farinha e água, D. Lindu teve todo o cuidado em racionar a escassa comida para evitar que faltasse durante o longo percurso. Em São Paulo, aquele barrigudinho filho de seu Aristides Inácio da Silva antes de seguir o seu verdadeiro destino que já misturava esperteza e liderança, foi tintureiro, engraxate e office-boy. Abandonado pelo pai que constituiu outra família em Guarujá, ?comeu o pão que o diabo amassou? para sobreviver com a mãe e os irmãos. Até que o destino abriu-lhe as portas quando resolveu fazer um curso para torneiro mecânico. Então, sua vida definitivamente começou a mudar. Metalúrgico, sindicalista e político. Passou por muitas experiências, entre prisão, candidaturas, mudanças de nome, para depois adotar e legalmente, ?Lula?. Mas estava escrito nas estrelas, o cara é ?o cara? como diria depois o presidente americano Barack Obama, é um predestinado. E quem pensar que tudo já terminou ? é puro engano ? o status de personalidade do ex-retirante e ex-presidente do Brasil continua em plena evidência viajando ao redor mundo a fazer palestras em troca de cachê milionário que só é pago a raríssimas notoriedades internacionais. Após sua saída do governo, nos últimos sete meses fez 20 viagens ao exterior (nove como palestrante). No Brasil, no mesmo período, realizou seis, incluindo três na terra que lhe abençoou: São Paulo. A imprensa noticiou esta semana, que o cachê do Lula para seu blablablá fora do País é de US$ 300 mil, líquidos ? começou com US$ 200 mil ? com a exigência de descolamentos em jatinhos, carro blindado, os melhores hotéis na cidade para onde foi convidado, incluindo também os custos do grupo de assessores que o acompanha nas viagens. Não abre mão dos servidores públicos que lhes prestam serviços como ex-mandatário da nação brasileira: quatro seguranças e apoio pessoal, dois motoristas e dois assessores estratégicos, incluindo seu tradutor dos tempos de Planalto. Esse valor é o dobro do cachê do seu antecessor, sociólogo Fernando Henrique Cardoso, afirmado desde os anos sessenta como um dos mais influentes intelectuais latino-americanos. O nosso ex-metalúrgico que mal sentou numa banca escolar, está no nível de cachês cobrados por políticos do naipe do ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, ou o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. O seu governo foi protagonista dos piores escândalos da história da República, corrupção em todos os níveis liderada pelo seu partido e a base aliada, mas nada o atingiu. Deixou o poder com quase 90% de aprovação popular. É um fenômeno. (*) É publicitário.