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Nº 5715
Opinião

Encontro com En�ias

MARCOS DAVI MELO * Afinal, depois das festas de fim de ano e do Carnaval, o ano realmente começa para muita gente. Ou termina, dependendo do ponto de vista. Os sequiosos pela chegada da realidade nos apresentam então as suas próximas e admiráveis atraçõe

Por | Edição do dia 22/02/2002 - Matéria atualizada em 22/02/2002 às 00h00

MARCOS DAVI MELO * Afinal, depois das festas de fim de ano e do Carnaval, o ano realmente começa para muita gente. Ou termina, dependendo do ponto de vista. Os sequiosos pela chegada da realidade nos apresentam então as suas próximas e admiráveis atrações! Próximos aos festejos juninos (no ano passado comprometidos pelo racionamento de energia), teremos uma Copa do Mundo no Japão e na Coréia. Se não bastasse a seleção do Felipão apresentar pouco talento, pouco entrosamento e pouca vontade, teremos o fuso horário para reduzir o entusiasmo dos torcedores. Mesmo para os que acordam rotineiramente cedo e seguem para o cooper na praia, um jogo às 6 horas da matina não estimula as comemorações que geralmente temperam o clima de uma Copa do Mundo. Como o Tostão, não custa sermos um pouco otimistas. Principalmente depois da disposição mostrada pelos jogadores com as gatas deslumbradas no sambódromo. Caso demonstrem o mesmo apetite na Copa, a seleção será imbatível. Teremos ainda inevitáveis protestos e situações delicadas, criadas pelos militantes em favor dos direitos dos cachorros. Na Coréia, são o prato principal nos restaurantes mais sofisticados. Não se ataque por este hábito os chinas e não se diga que por aqui nunca se comeu o melhor amigo do homem no almoço. No meu tempo de estudante universitário, um grupo de colegas de Goiás relatava, sem nenhum constrangimento, que cansaram de comer cachorro ensopado, comprado como se fora carneiro. Jamais notaram nenhuma diferença, até que um saudoso proprietário, policial civil, resolveu investigar o desaparecimento do seu Totó. Quando estive em Cuba – onde faz parte do menu de alguns restaurantes – não resisti a tentação e pedi um prato, cozido com cebolas. Quer saber o gosto? Parece assim com porco do mato, sendo um pouquinho mais magro e crocante. Para quem exigir uma dose ainda maior de seriedade, é só esperar as eleições. Estas primarão pela coerência. Finalmente todos os candidatos a substituir FHC terão um discurso semelhante, dirigido para agradar o eleitorado: o dos marqueteiros. Será uma das poucas coisas interessantes: comparar o discurso com a prática. Em nome também da coerência, o TSE, cônscio de suas responsabilidades, independente e sem nenhum outro interesse que não a manutenção da prática dos bons costumes na política, ameaça se posicionar para as coligações se manterem nos Estados fiéis às estabelecidas em Brasília. Parece, em princípio, salvo engano, que vai arrumar a coisa para uns e desarrumar para outros; até do pessoal de casa. A coerência será mantida sob o lema: “Ganhar as eleições a qualquer custo”. Para os militantes fanáticos pela realidade definitiva, não custa esperar pelo horário eleitoral gratuito. Entre outras coisas empolgantes, apresentar-se-ão figuras agradabilíssimas, como aquele persistente candidato à presidência. Com sua careca de físico de filme para adolescentes e suas barbas de profeta. Estará disponível para todos os neoespartanos que se dispuserem a alguns momentos de puro deleite e insuperável prazer diante de sua TV. Convocada a família e os amigos para um encontro social dos mais divertidos e animados, em torno de lauta mesa de refrigerantes diet e de sanduíches naturais, deleitar-se-ão com o horário eleitoral gratuito na televisão. O auge da empolgação será atingido quando da apresentação do careca barbudo, que triunfalmente encerrará a sua peroração, gritando para uma platéia embevecida: “Meu nome é Enéias!”. (*) É MÉDICO

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