Opinião
Faculdades do crime
Apesar das investigações ainda estarem em marcha, o fato das suspeitas sobre o assassinato do suboficial José Roque Carlos estarem focando num ex-detento, que estaria livre há apenas 15 dias do crime, reaviva o debate sobre os problemas do sistema penal brasileiro. Cada vez mais as polícias reclamam do que consideram ?trabalho perdido? em função à rápida devolução às ruas de pessoas detidas (indiciadas, processadas e até julgadas e condenadas) pelos mais diversos crimes. A pergunta recorrente é ?vale a pena prender?? visto que a detenção torna-se cada vez mais efêmera e a recuperação inexiste. Se confirmadas as suspeitas, a tragédia que vitimou o subtenente Roque torna-se ainda mais emblemática. Decorridas duas semanas da libertação, o suspeito já estaria mergulhado no mundo do crime e, mais grave ainda, disposto a avançar na periculosidade, passando do roubo para o assassinato (latrocínio?). E pior ainda, o alvo do assassinato passa a ser nada mais nada menos que um agente policial alcançado em pleno posto de trabalho. Um descalabro. Uma demonstração cabal (se essas suspeitas forem confirmadas) da falência de um sistema inteiro. Mesmo que não se confirmem essas suspeitas, como corretamente alerta a autoridade policial responsável pelo inquérito quando chama a atenção para o fato de que as investigações ainda estão em andamento, outros exemplos são terrivelmente eloquentes em reafirmar a impotência do sistema penal brasileiro em reeducar, em recuperar, o apenado. O termo reeducando, tão prezado pelos adoradores de rótulos, passou, há muito tempo a ser uma ironia. O apenado, para se reeducar, tem de vencer todo o sistema, pois o poder das gangues internas e a inoperância dos programas de recuperação continuam transformando os presídios em universidades do crime.