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Opinião

Deus e a verdadeira religi�o

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O livro dos Juízes, no capítulo 6, versículos 11-24, apresenta-nos uma situação rica em ensinamentos. O povo de Israel acabara de chegar à terra prometida por Deus. Depois de um longo período, de fé em fé, de esperança em esperança, alcançam Canaã. Mas qual não foi a surpresa, quando descobriram que a conquista definitiva iria ser difícil, visto que a terra estava ocupada e sendo disputada por outros povos. Nesse contexto, durante um período subjugado por um destes povos, os madianitas, Gedeão ? que será um dos juízes de Israel ? recebe a visita do anjo do Senhor, comunicando-lhe que o Senhor está com ele. A essa notícia, Gedeão pergunta: ?Se o Senhor está conosco, por que nos vieram todos esses males?? (Jz 6,12-13). O questionamento do futuro juiz é algo tão próximo a nós. Tantas vezes nos tornamos inquisidores de Deus. Ele é que nos deve explicar as razões e os porquês dos acontecimentos. Por outro lado, é interessante observar que o anjo não responde a questão de Gedeão. Simplesmente diz: ?vai, com essa força que tens e livra Israel dos madianitas? (Jz 6,14). Novamente, Gedeão faz outra interrogação: ?com que livrarei Israel (...) sou o menor na casa de meu pai?? (Jz 6,15). Ao qual o Senhor, mais uma vez, não retruca, mas somente lhe diz: ?eu estarei contigo? (Jz 6,16). O Senhor não responde as nossas perguntas tolas, tantas vezes superficiais. Deus não é um guru, sempre com uma resposta pronta a nos dar, explicando a razão de ser dos fatos. Deus também não é um milagreiro de plantão, sempre pronto a atender às nossas necessidades. O Deus revelado nas Sagradas Escrituras é totalmente livre no seu agir e nos convida a ser livres, fazendo a experiência da verdadeira religião. Basta apenas crer: Ele está conosco, tudo está em suas mãos, Ele guia a história, em meio aos seus absurdos mais extremos. Quem faz essa experiência, é verdadeiramente livre; é, de fato, religioso. No final desse trecho do livro dos Juízes, já convencido de que Deus não estava ali para lhe prestar satisfações, Gedeão pede um sinal (cf. Jz 6,17-21). Ele oferece um holocausto, e Deus concede-lhe o sinal, consumindo o sacrifício. Sim, o nosso Deus não nos dá provas de sua presença, de que Ele caminha conosco. Ele nos apresenta sinais, e nos pede que aprendamos a lê-los; a ver nos eventos de nossa história pessoal e coletiva sua ação livre e libertadora. Depois de findado o sacrifício, Gedeão dá àquele lugar o nome ?o Senhor é paz? (cf. Jz 6,24). De fato, quando deixamos nossas perguntas pueris, e experimentamos Deus como uma presença, estamos em paz conosco. (*) É diácono ([email protected]).

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