Opinião
As muitas trag�dias sociais
Voltar-se para temáticas econômicas e sociais causa preocupação. Crises internacionais ameaçam países em desenvolvimento. Emprego, desemprego, violência, miséria, são fatos agravantes. Um jesuíta chileno escreveu, nos idos de 1990, que a evangelização pode ser feita de muitas maneiras, mas que hoje ela começa por um longo túnel de 8 metros, que se chama aparelho digestivo. Cerca de um bilhão de seres humanos passam fome, estão desempregados ou subempregados em todo o mundo. No Brasil, esse problema é grave. Torturante. Quando estagiei nos Estados Unidos, na década de 70 (Universidade de Ohio), havia euforia pelas múltiplas ofertas de trabalho e oportunidades de emprego. Quarenta anos depois o país que se julga referência para o mundo vive momentos dramáticos de crise econômica e de desemprego. De maneira igual, esse é o quadro da Espanha, Portugal e Grécia, entre outros. No Brasil, um fato salta aos olhos. Cada família brasileira de classe média olha ao seu redor e tem um filho, uma filha, um neto, uma neta, marido, parente, sem ocupação definida. O poder federal incentiva o acesso ao nível superior (grande conquista para as famílias) e depois vem o drama do que o recém-formado vai fazer com o diploma conquistado. Muitos jovens de 26 a 30 anos continuam sob a tutela dos pais por não terem conseguido emancipação econômica. Em vários países europeus publica-se, anualmente, catálogo com a previsão de empregos disponíveis nos futuros cinco anos. Ao entrar na Universidade o estudante já sabe onde pode estar sua oportunidade profissional e empregatícia. O Brasil acordou para o ensino técnico profissionalizante em nível de ensino médio. Uma opção de importância para o mercado de trabalho. Se bem orientado fornece chaves de aquisição de conhecimentos capazes de abrir compartimentos de setores do mundo do trabalho. Há novos perfis profissionais no quadro atual das necessidades de capacitação. O país está importando técnicos especializados por não encontrar localmente, para determinados setores, mão de obra preparada para enfrentar os desafios de avanços científicos e tecnológicos. No presente, deseja-se que a crise internacional não atinja o crescimento do país e, com isso, empregos e ocupações. Desemprego maltrata, causa medo, inquietação, provoca desorganização familiar e social. É poluição do direito de uma vida digna. Na década de 90, surgiu o Proex ? investimento de bilhões governamentais como pronto socorro a bancos falidos. Por que não criar um Proemp, pró-emprego, com investimento igual ou superior, que sensibilize a sociedade civil. É tempo, ainda.. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.