Opinião
Direito de linchar?
Mais uma demonstração violenta insiste em alertar a sociedade alagoana e as nossas autoridades acerca da periculosidade teimosa em se entranhar às manifestações de protestos em nosso Estado. Ao atear fogo em um ônibus, por mais compreensível que seja a revolta pelo atropelamento de uma criança, o grupo reivindicante perde a razão e converte-se em turba. A violência em si passa a catalisar os descontentamentos acumulados e simplesmente são ignorados os efeitos nefastos decorrente da forma de protesto. E a manifestação popular, ao trilhar esse caminho, transmuta-se no antônimo da democracia. No calor dos acontecimentos, enquanto as chamas devoravam o veículo, as declarações recolhidas dentre os manifestantes confirmam o quanto está se tornando banal essa perigosa tendência. Uma dos presentes, que se identificou como tia da criança acidentada, chegou a afirmar à reportagem que ?se o motorista tivesse sido encontrado, seria amarrado e deixado dentro do ônibus para que morresse queimado?. Teve toda razão, portanto, o condutor em fugir do local. Se, cumprindo a Lei e as normas civilizatórias de solidariedade, e tivesse tentado socorrer o ferido, poderia ter sido assassinado de forma terrível.Vertendo-se em seu contrário este tipo de ação troglodita finda por inocentar o acusado. Pode ser que o motorista fosse culpado do acidente, mas a brutal reação finda por, na prática, inocentar o acusado. O veículo não mais oferece condições de ser periciado e a fuga do local do sinistro está plenamente justificada. Destruir, incendiar, tumultuar, parece estar liberado e autorizado para os manifestantes em Alagoas. Matar, segundo a vontade registrada pelas reportagens, parece ser o próximo ?direito? a ser ?conquistado?. Uma escalada indubitavelmente perigosa. Uma tendência que não pode continuar a ser ignorada por nossas autoridades.