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O sacrif�cio de uma vida coerente

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O apóstolo Paulo, na sua carta aos Romanos (cf. 12,1), exorta os cristãos a se oferecerem em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, sendo esse o culto espiritual (eloquente) dos seguidores de Jesus. Para a fé cristã, Jesus é aquele que fez de toda a sua existência uma oblação, de tal maneira que viveu sempre em favor dos outros. Toda a vida Dele estava em coerência com a vontade Deus, seu Pai: a entrega de si pela redenção de todos. Sua morte e ressurreição nada mais foram do que o ápice de uma vida não para si mesmo, mas para os outros. A vida de cada cristão, seguindo a orientação paulina, deve ser regida pela imitação dessa oferta única feita por Cristo. Ou melhor, seguindo ainda o pensamento do apóstolo, a vida cristã é completar a cada dia o que faltou na paixão de Jesus. Isso não significa que a oferta de Cristo tenha sido imperfeita ou incompleta. Mas consiste em afirmar que o sacrifício de uma vida reta é a realização concreta do drama da cruz no cotidiano dos discípulos do mestre. De fato, ser coerente, fiéis às nossas escolhas custa um alto preço. Eis a nossa cruz, eis o desafio! Ninguém está isento de ofertar-se em libação, seja qual for o seu estado de vida: o pai e a mãe de família quando lutam a cada dia para educar e sustentar sua família, em meio ao perigo da violência das drogas, os sacerdotes e os religiosos na vivência de seus compromissos, os jovens que sabem renunciar em vista de seus ideais e de um futuro mais promissor. Todos esses ofertam-se como Cristo na cruz! Mas, sejamos sinceros: não há palavra tão difícil para o mundo atual quanto a palavra sacrifício. Sacrificar-se para quê? Se a vida passa tão rápido e a satisfação pessoal fala mais alto, faz sentido fazer escolhas para a vida toda e ser capaz de doar-se inteiramente por elas? Na passagem supracitada, Paulo segue dizendo: ?não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando o vosso modo de pensar? (Rm 12,2). O verbo conformar significa assumir a forma. Assim sendo, o cristão não pode conformar-se aos valores ditados pela conveniência de grupos ou ideologias. Pelo contrário, por sua vida coerente e reta, o cristão transformar-se a cada dia, à luz Daquele que foi total obediência ao projeto de Deus para a sua vida. Se o mundo jaz sob o jugo da caducidade, apesar das suas inovações, é que ele se tornou escravo de uma ditadura, aquela que diz que não se deve levar a sério nossas escolhas ou tomar decisões duradouras. Na contramão dessa ditadura, os cristãos seguem livres e devem proclamar com a sua vida imolada que o sentido da vida consiste em sermos fiéis, em sermos capazes de morrer por aquilo que cremos. (*) É diácono ([email protected]).

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