Opinião
A cultura no governo Dilma
Não sei se é só impressão minha, mas perdemos velocidade na corrida cultural que o País levou até o governo Lula. Os editais minguaram. As políticas culturais aprovadas parecem esquecidas. O BNDES e o Iphan que anualmente fomentava recursos à modernização de museus não deram as caras. O IBRAM continua trabalhando, mas parece que são ações já aprovadas até 2010. É como se nada tivesse começado ainda. E estamos quase no final do ano. Agora o Ministério Público Federal ajuizou ação contra cinco servidores do MinC e da Fundação Universidade de Brasília, por contratos superfaturados para o Ano do Brasil na França. Sem falar no verdadeiro desmonte que houve no ministério depois da nomeação da nova ministra Ana de Holanda. Por último, o cancelamento de 11 convênios, no valor de 12 milhões de reais, assinados na gestão de Juca Ferreira. E outros tantos a exemplo do Instituto E de Design e a Associação Brasileira de Estilistas que teveram seu projeto Design Sustentável, cancelado já com contrapartidas e desembolso. Num país onde a cultura é tratada dessa forma, o que podemos esperar? Mais ainda, depois de tanto avanço como a implantação dos Pontos de Cultura. O próprio reconhecimento de segmentos esquecidos, como a cultura imaterial e a valorização da cultura Griô ? que fez renascer os contadores de história. Isto sem falar na implantação de bibliotecas, museus e equipamentos culturais que surgiram onde ninguém nem esperava. Assim como as audiências públicas em todo o Brasil para criar uma política cultural.Gilberto Gil pôs seu nome a disposição da cultura e mundo inteiro viu o Brasil. Todas estas ações fortalecem a vontade da iniciativa privada de participar do processo. Mas é necessário que o ápice da pirâmide esteva no lugar. Para isso é fundamental um gestor que tenha visibilidade, nacional e internacional, sintonia com deputados, senadores e a noção de que cultura é continuidade e não ruptura. O Brasil é grande e as nossas diferençasnão são apenas culturais. Este ano, após a 9ª Semana Nacional de Museus, o IBRAM remeteu uma pesquisa aos participantes onde alguns dos nossos museus quase não tinham o que responder. Eram questões de natureza logística e financeira destinada, exclusivamente, a grandes museus, com pelo menos, um contingente razoável de funcionários e um orçamento planejado. A pesquisa foi tão cobrada, que ao respondê-la acrescentei um e-mail falando de nossa realidade. Quantos museólogos temos em Alagoas? Quantos existem no Brasil? A realidade é que criar um equipamento cultural é como ter um filho. É preciso cuidar. E isto custa dinheiro. (*) É escritor.