Opinião
Ser� a primavera?
Indubitavelmente, entre 1969 e 2011, Gaddafi foi o soberano todo-poderoso da Líbia. Sua trajetória é complexa e nem tudo pode ser considerado crime em sua caminhada, embora seus excessos sejam notórios. Igualmente não é simples o turbilhão que arrancou o espalhafatoso coronel do comando daquele país africano. E o futuro do povo líbio segue confuso, apesar das promessas democráticas feitas pelo Conselho Nacional de Transição. Interessa a todos que amam a democracia o desaparecimento das formas ditatoriais e o surgimento no lugar dos déspotas de regimes abertos, plurais, onde as liberdades individuais e coletivas, assim como as minorias, sejam respeitadas. Infelizmente, porém, muitos dos movimentos autointitulados libertadores congelam-se, depois da conquista do poder, em formas opressoras. Apressadamente rotulada como ?Primavera Árabe? a onda de revoltas que tem sacudido o Oriente Médio ainda não honrou o epíteto cunhado pela mídia mais apressada. O Egito segue esperando algo diferente de um governo centralizador e, apesar do derribado Mubarak está sendo julgado, as eleições livres ainda são promessas sem data. A realidade da Tunísia, primeiro cenário das rebeliões massivas, está simplesmente esquecida pelo noticiário. E nos demais países ?primaveris?, o que acontece nesses dias? Sabe-se algo sobre a Síria e muita informação circula sobre a Líbia. Mas sumiram do mapa midiático as conjunturas efervescentes da Argélia, Bahrein, Djibuti, Iraque, Jordânia, Síria, Omã, Iêmen... Com mais ou menos intensidade, os povos desses países foram às ruas. Aparentemente, sem resultados significativos.Caídos os governantes da Tunísia, do Egito e da Líbia (este ainda em conflito aberto), pouco se pode apostar na estação climática em cartaz nesses lugares. A primavera política ainda é uma tênue esperança.