loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Apesar dos pesares

Ouvir
Compartilhar

Era uma vez, nas longínquas terras dos Alagados ? também conhecida como ?paraíso das águas? por não haver corrupção ou qualquer fato que se assemelhasse ao crime financeiro ? um rei, seus sete coletores de impostos e um informante. Tudo corria às mil maravilhas, toda semana os coletores traziam suas bolsas, com seus respectivos nomes e cheias de moedas de ouro coletadas da população que trabalhava duro para manter o ?paraíso?, e guardavam-nas no cofre do rei. Em seguida, pegavam outras bolsas vazias, mas com seus respectivos nomes, e voltavam ao trabalho de coletar impostos. Certo dia, o informante corre para avisar o rei que um dos coletores o estava roubando ao raspar um grama de cada moeda coletada e quando foi dizer o nome do coletor, teve um súbito enfarto e morreu. Ao rei restava pesar as moedas e identificar o coletor que roubava o ?paraíso?. Acontece que nesta longínqua terra o rei tinha uma balança eletrônica e uma única ficha para fazê-la funcionar, portanto teria que pesar uma única vez e assim identificar o coletor corrupto. O (a) leitor (a) conseguiria resolver este problema? O rei sabia, por exemplo, o quanto investia/gastava com os demais setores do reino: educação, saúde, transporte, segurança, etc. E, a partir de então, passou a redirecionar o erário destinado à educação para a segurança, sendo que este setor já absorvia verbas dos demais. O desequilíbrio nas contas públicas refletia a movimentação dos profissionais entre todos os setores, e no dá educação restou uma aluna reivindicando professores para a escola, pois insistia nos estudos para, quando crescer, se tornar professora. O rei, depois de sugerir as muitas opções, inclusive a de ?garota de programa?, que trariam rendimentos maiores à estudante encabruada, decidiu perguntar como resolver o problema da balança. A garota, com pretensões de se tornar professora, disse: ?O problema não está na balança (equilíbrio e imparcialidade nos julgamentos; ponderação), mas no ato de pesar?. Basta que saibamos o peso exato de uma moeda e coloquemos na balança uma moeda da primeira bolsa, duas da segunda, três da terceira e assim até a sétima bolsa, se o resultado da pesagem for diferente (e terá de ser) do resultado previamente calculado do total de moedas que seriam pesadas, por exemplo, se a diferença for de dois gramas, logo, o nome do corrupto estará na segunda bolsa. O rei, mais que depressa, investiu todo o erário numa guilhotina ultramoderna (a laser) para decapitar o coletor corrupto e nem agradeceu a garota que disse: ?apesar dos pesares, amanhã (sempre) será um novo dia, e espero com programas excitantes?. (*) É professor de Economia FEAC/UFAL; e-mail: [email protected].

Relacionadas