Opinião
Raz�o e sensibilidade
Novamente, uma greve subtrai de parcela da juventude o que seria o direito elementar à aula. Desta vez quem está pagando o pato (na conta imediata, pois em médio e longo prazo a conta é debitada contra toda sociedade) são os estudantes da Universidade Federal de Alagoas. Como noutros episódios semelhantes, o professorado tem razões de sobra para ir à luta. Salário de menos, trabalho demais é a dicotomia denunciada pelos integrantes do corpo docente da Ufal. Não se discutem as motivações dos professores. Novos cursos abertos, novas turmas e disciplinas distribuídas a cada docente sem que lhe tenha sido acrescido vintém aos proventos. Resumidamente, esta é a realidade gritada pelos reivindicantes mestres e doutores, mais irritados ainda pelo que consideram de descaso das autoridades federais à sua causa. E a greve, por tempo indeterminado, mais uma vez está decretada como forma de luta. Tem razão o grevista, mas mais sensibilidade é fundamental. Apesar da causa ser justa, injusto parece ser o formato da lide. Mais uma vez espoca a pergunta que não se pode ser calada quando da interrupção de serviços públicos: Quem é o principal, senão o único, prejudicado? Será que o ministro da Educação e demais autoridades às quais competem decisões sobre essas demandas, estarão insones? Torçamos para que as autoridades federais possam abrir seus corações e mentes às reivindicações. A cada dia findo sem aulas o corpo discente sangra. O único resultado garantido é o sacrifício do futuro, o atraso quantitativo e qualitativo no processo de formação. Oremos para que esse sacrifício seja sustado o quanto antes. Um pouco de sensibilidade, e alguma criatividade, fortaleceria enormemente as razões (indiscutíveis) dos professores se os alunos fossem poupados e os verdadeiros responsáveis pressionados de verdade.