Opinião
Terror nas ruas
Historicamente, o horror tem sido usado como forma de dominação. A desumanidade exercida de forma desabrida passa para toda uma comunidade a sensação de vulnerabilidade total. Das hordas bárbaras do passado aos terroristas hodiernos esta prática terrível tem sido usada à larga. E agora, sem as ?justificativas? fundamentalistas (religiosas e/ou ideológica) em voga, o banditismo lança mão dessa iniquidade. Precisa-se prestar a atenção para determinadas manifestações que, repetidas, descaracterizam a avaliação do ?fato isolado?. Este é o caso da repetência, em curto espaço de tempo, do expediente do esquartejamento como exercício do terror. Na ocorrência anterior, a área onde ocorreu o sinistro foi alvo de uma operação especial de ocupação por parte da Polícia Militar. Quanto ao caso registrado ontem, onde os restos calcinados de um corpo foram espalhados em várias direções a partir de uma rodovia movimentada, o que fazer? Intervir-se-á em todos os bairros adjacentes a essa via? Melhor não seria intervir em toda Maceió? Usualmente a suspeita sobre tais violências tendem a recair sobre traficantes e/ou usuários de drogas, quer seja pela suposta necessidade de uso de psicotrópicos para perpetrar tamanha aberração de comportamento, quer seja pelo objetivo de reafirmar a dominância de grupos de traficantes sobre áreas ou comunidades inteiras. Enfim, o recado está dado. E repetido. Mesmo inexistindo ligação efetiva entre essas duas brutalidades semelhantes, é evidente a equivalência da mensagem dada: são donos do pedaço, reinando sobre a vida e a morte em suas áreas, e quem lhes resistir estará condenado a morte mais terrível. O que a sociedade tem a responder sobre esses recados? Chorar baixinho, tremendo de medo, para não incomodar aos meliantes?