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Opinião

O amor que corrige

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O discurso sobre a Igreja, encontrado no capítulo 18 do evangelho de Mateus, nos versículos de 15 a 20, apresenta-nos três realidades para reflexão. A comunidade fundada por Jesus tem como lei máxima o amor. Aquela mesma atitude manifestada por Deus ao enviar o seu filho, que, ao assumir a nossa humanidade decadente, demonstrou não amar por palavras ou mesmo à distância, mas com atitudes concretas e na proximidade. Assim deve ser a vida dos cristãos: imbuída do amor que deseja que o próximo viva em plenitude. Por isso, às vezes, é necessária a correção fraterna, afim de evitar a morte espiritual de muitos: ?se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo? (cf. 18,15a), são as palavras de Jesus. No entanto, corrigir com amor não significa encobrir o pecado dentro da Igreja ou um atestado para permanecermos no erro, na certeza de que contaremos com complacência do outro. Pelo contrário, vejamos o que o próprio Senhor diz: ?Se nem mesmo à Igreja ele ouvir [o irmão em falta] seja tratado como se fosse um pagão ou pecador público (cf. 18,17b)?. São palavras duras, demonstrando que ser cristão é levar a sério a vida segundo o evangelho. Não se pode ser cristão e viver na prática como se não o fosse; pois que tipo de testemunhas seremos? Ainda é interessante observar a autoridade dada por Jesus à sua Igreja: ?em verdade vos digo, tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu? (cf. 18,18). A comunidade dos discípulos tem a autoridade de expurgar o pecado recalcitrante em seu próprio seio. E tal autoridade foi concedida de um modo particular àqueles que nela têm a missão de pastoreá-la: os apóstolos e seus sucessores, o colégio universal dos bispos em comunhão com o bispo de Roma, o papa. Em tempos da relativização da verdade e da moral, a própria concepção de pecado parece algo fora de moda, assim como a necessidade da correção. No entanto, somente amadurece verdadeiramente, só progride humanamente e na vida cristã quem procura viver segundo verdade revelada em Cristo. E nesse caminho necessitamos das correções do próximo ou mesmo da Igreja. Amar não consiste em palavras bonitas, mas vazias em ações. O amor verdadeiro consiste na doação total de si pelo outro. O Deus revelado em Jesus age assim. Da mesma maneira, devem agir os cristãos. E o amor verdadeiro sana as deficiências, corrige, abrindo-nos a experiência de viver não uma vida indigna, mas uma vida em abundância, na verdade e na justiça. (*) É diácono ([email protected]).

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