Opinião
Neo independ�ncia
Ao longo dos tempos, o conceito de independência nacional tem mudado. Durante bom tempo, as fronteiras mudavam de lugar em função da hereditariedade dos soberanos ou, mais frequentemente, do poder militar de uns em relação a outros. Pós-medievalismo, o conceito do Estado-Nação passou a exigir limites geográficos estáveis. Questão elevada a uma potência inovadora com a independência dos Estados Unidos da América. Um novo sentimento passou a marcar corações e mentes das antigas possessões que passaram séculos sob a mão forte das potências europeias. Depois da consolidação do 4 de julho de 1776, o sentimento independentista enraizou-se no continente que era composto só por colônias desde 1494. Após algumas tentativas frustradas (localizadas, regionalistas), o Brasil logrou berrar sua independência pela garganta do príncipe também herdeiro da coroa opressora. Enfim, o 7 de setembro é o marco de nossa independência. É a afirmação do Estado-Nação brasileiro e um início de uma construção que se revelaria complexa, mas, justiça seja feita, plenamente vitoriosa em manter unido o grande País desbravado e costurado pelos lusitanos. No mundo globalizado o conceito da independência se reafirma pelas relações de interdependência, onde a integração ao grande mercado internacional adquire contornos distintos de tudo que existia até o fim da bipolaridade (marcada pela queda do Muro de Berlim e pela quebra da URSS). Ser independente, hoje, é saber preservar os interesses nacionais equilibrados frente aos grandes embates e choques de interesses internacionalizados. Uma simples modificação na taxa de juro num único país estabelece um novo quadro de tensão entre os elos da corrente globalizada. Hoje, talvez, seja mais fácil berrar ?Independência ou Morte? do que compreender o que, de fato, isto signifique nos dias em curso.