Opinião
O despertar estudantil
Após anos de silêncio e omissão, o alunado acordou! Achei que ficariam ?deitados eternamente em berço esplêndido?, aguardando talvez, mais uma verba federal... Enfim, a classe estudantil despertou nesse 31 de agosto. Milhares de estudantes realizaram marcha na região central de Brasília, solicitando investimentos na área da Educação. O presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) Daniel Lliescu declarou: ?O Brasil vive um momento importante, vem se destacando como uma forte economia. Neste momento, investimentos em educação são prioritários para o desenvolvimento do país?. Os estudantes querem para a Educação a aplicação de 10% do nosso Produto Interno Bruto (PIB) e 50% do fundo do Pré-Sal. As imagens da TV Globo, à primeira vista, lembraram-me as desastrosas reivindicações do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra). Num segundo momento, observei alguns excessos de uma minoria insensata. Imediatamente, as câmeras focaram a bela jovem chilena Camila Vallejo, ?musa? dos protestos estudantis chilenos, convidada para o evento. Precisamos importar liderança? Onde estão nossos líderes? O povo brasileiro aplaude manifestações justas e ordeiras. Repudia vandalismo. Há anos, a voz universitária vinha sendo ouvida. Calou-se e omitiu-se por um longo período. Será que nossos estudantes estiveram satisfeitos todo esse tempo, com o desempenho educacional de nosso País? Apesar do péssimo resultado no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), em que o Brasil está na 87ª colocação entre 139 Nações, atrás do México, Uruguai e Tunísia, não víamos reivindicações estudantis responsáveis. A imprensa denunciava em todo o território nacional, as péssimas condições das escolas, o baixo desempenho e desvios nas verbas da merenda! A UNE silenciava. Parecia não existir. Antes de cursar medicina na Ufal, fiz na mesma Universidade o curso de Letras. Durante esses anos, fui presidente do diretório, (Faculdade de Filosofia da Ufal) por duas gestões. Recordo-me que com lideranças de outras Instituições Universitárias, empenhávamos pela melhoria do ensino. Criamos e coordenamos a Primeira Academia Universitária de Letras. Tivemos como patronesse a saudosa escritora d. Rosinha Pereira do Carmo que comparecia e incentivava nossas reuniões mensais. Mantenham-se atentos, universitários brasileiros. Colaborando, sensatamente, com nossos gestores. Que a UNE, outrora reivindicadora, volte com coerência e responsabilidade a participar do desenvolvimento do nosso país. Enfim, presenciamos O Despertar Estudantil. (*) É médica e empresária de turismo.