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Um dos aspectos mais odiosos da censura à imprensa é o ataque pessoal a jornalistas. A história está repleta de casos de violências cometidas contra os profissionais da informação. Mais uma vez, esse espectro de incivilidade teima em se anunciar em nosso Estado. Num ato que vai além da solidariedade pessoal e alcança a defesa do Estado Democrático de Direito, o Sindicato dos Jornalistas e a seccional alagoana da Ordem dos Advogados do Brasil posicionaram-se sobre as recentes ameaças sofridas por jornalistas. O alerta lançado por essas duas entidades deveria chamar a atenção de toda a sociedade, das demais entidades, das autoridades e, especialmente, de quem pretende intimidar o jornalismo alagoano, de que a sociedade brasileira não mais tolera este tipo de procedimento. Em Alagoas, nos anos 40, violências cometidas contra o jornalista Donizzete Calheiros deixaram mais que uma marca lamentável, legaram à posteridade a comprovação de que a brutalidade não cala a imprensa. No Brasil, outras tantas lições, colhidas ao longo do tempo, reafirmam a mesma lição: a violência não silencia o jornalismo. Muitas vezes, invectivas raivosas são expressas ao sabor das emoções. Seriam imprecações, e não propriamente ameaças, antecipando ações de retaliação. Mas, mesmo considerando esta hipótese, à convivência democrática não se permitem tais arroubos e, especialmente, o Estado de Direito não pode transigir com anúncios de ações violentas contra quem quer que seja, sob pena de abrir espaço para o banditismo puro e simples se apoiar na falácia de muitos, como sendo lugar-comum. O jornalismo não está livre de erros, e muito menos pretendem os jornalistas ficar acima das polêmicas. O contraditório faz parte do cotidiano midiático. Se alguém considera-se prejudicado por uma notícia, que a conteste; muitas são as vias para tal, inclusive a judicial. Mas a ameaça é inaceitável, intolerável.

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