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Opinião

Propaganda desrespeitosa

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Diz a História da Propaganda que, no Brasil, o embrião do anúncio foi veiculado no primeiro jornal impresso e escrito, a Gazeta do Rio de Janeiro, editado pela Imprensa Régia a partir de setembro de 1808. Uma senhora, Anna Joaquina da Silva, com o título ?Annuncio?, oferecia ?uma morada de casas de sobrados com frente para Santa Rita?. Certo que existiam cartazes pela cidade oferecendo produtos os mais diversos, dentre eles os próprios escravos, e nem podemos deixar de reconhecer que a carta de Caminha foi uma precursora da mala direta, outra maneira de se fazer chegar aos consumidores aquilo que se propõe oferecer. De 1808 até nossos dias, vão-se pouco mais de duzentos anos, a Propaganda transformou-se em Ciência e, agregada ao Marketing, vem preenchendo nossa mídia televisada, falada e escrita com belas peças publicitárias a encantar nossos sentidos. Infelizmente, nessa trajetória, muito vem sendo desvirtuada por aqueles que dela se utilizam para alcançar cada vez mais seus exorbitantes lucros. Não foi à toa que, ainda sob as ameaças de ser reprimida pela ditadura militar, os envolvidos com a publicidade criaram o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária e o órgão fiscalizador Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária. Ainda agora, os mesmos que combatiam a exceção tentam outra vez amordaçá-la. Ela deve ser livre, desde que siga os preceitos do artigo I de seu Código: ?Todo anúncio deve ser respeitador e conformar-se às leis do país; deve, ainda, ser honesto e verdadeiro?. Mas, com grandes exceções, não é isso o que vêm seguindo aqueles que dela se beneficiam. Esperamos, há muito, uma atitude de quem fiscaliza diante de algumas publicidades veiculadas por grandes lojas de rede, regional e nacional, de departamentos. Suas maquinadas estratégias são de uma manha peculiar. Sabedores que o grande público, principalmente a classe média baixa, não é leitor de jornais, fazem suas propagandas em tabloides e espalham nos pontos de ônibus e outros, de grande movimentação, chegando até a entrega de porta em porta. Só que os anúncios sempre vêm com erros, ou no preço, ou no prazo, ou na configuração ? dizem que o refrigerador é frost-free sem ser ? e mais uma infinidade de aberrações desonestas. Aí, aonde vão salvaguardar seus direitos? Exatamente nos jornais, que o inocente consumidor não lê, pois não compra. As páginas dos nossos matutinos estão infestadas de ?Errata?, pequenas e com letras minúsculas, quase todos os dias, zombando de uma clientela tolerante e inocente. (*) É bacharel em Economia ([email protected]).

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