Opinião
Uma caixa furada
Como se não bastassem os escândalos nacionais e locais sobre rombos no sistema previdenciário nacional, segmentos corporativos também apresentam seus furos. E que furos! Segundo a diretoria da Caixa de Assistência da PMAL teriam sido cometidos desvios da ordem de R$ 10 milhões dos cofres daquela instituição. Naturalmente, toda denúncia necessita ser confirmada por investigações isentas dos tensionamentos corporativos. Mas os números e os indícios de falsificações apresentados são chocantes. Evitando condenações antecipadas, o caso exposto pela atual diretoria da Caixa Beneficente da Polícia Militar de Alagoas desencadeia uma série de preocupações sobre o novelo de problemas que se tornaram os sistemas previdenciários existentes no Brasil. As fraudes recorrentes contra o INSS (recentemente Alagoas esteve no epicentros de uma dessas falcatruas) são frequentes e quase sempre percorrem os mesmos caminhos. Parte desses assaltos são identificados, alguns são acusados, outros condenados, bens são arrostados para repor parte do surrupiado... e a história se repete com assustadora recorrência. Faz-se necessária uma reflexão sobre a vulnerabilidade das instituições previdenciárias brasileiras. E, certamente, num País sufocado por leis múltiplas para tudo, melhor seria uma revisão da legislação e da fiscalização sobre todas as partes constitutivas desse sistema historicamente vazado. A supostamente furada caixa da PM alagoana é mais um caso de polícia nesse cenário repleto de peças de péssimo gosto, mas o caso denunciado consegue inovar frente as demais ocorrências registradas aqui e alhures. Afinal, apenas a certeza absoluta da impunidade, ou pura ação provocativa, pode levar a pessoas esclarecidas à falsificação grosseira de comprovantes de depósitos bancários. É a própria imprevidência criminosa, ou simples ironia delinquente.