Opinião
11 de Setembro: memorial da fragilidade humana
Em 11/09/2001, uma série de ataques terroristas chocou o mundo. Dez anos se passaram e a tragédia não foi esquecida. Alguns a apresentam como um acontecimento que mudou o mundo, outros escrevem artigos para comunicar que nada mudou no mundo após aquele atentado. Mas poucos a consideram irrelevante, digna de esquecimento. Certamente a comoção causada pela destruição do World Trade Center não se deve somente à morte de quase três mil pessoas: em 2005, o presidente Bush reconheceu a morte de trinta mil pessoas na ocupação do Iraque e não se viu reação semelhante. Ao que parece, o ruir das torres gêmeas nos remete à fragilidade do ser e das obras humanas. Um grupo de apenas 19 terroristas conseguiu macular um símbolo de poder da maior potência da Terra. As torres que resistiram à explosão de dinamite em 1993 sucumbiram diante do choque de aviões comerciais em 2001. As reações políticas foram imediatas. Os Estados Unidos declararam ?guerra ao terror? e estabeleceram uma série de medidas preventivas de ataques terroristas, envolvendo sanções econômicas e militares a países que, supostamente, abrigavam terroristas. Apesar disso, o terrorismo e a sensação de insegurança não parecem regredir. Várias foram as vítimas inocentes dos atentados aos trens urbanos de Madri (2004), das explosões em ônibus e metrô em Londres (2005), dos massacres em Mumbai (2008) e dos atentados articulados por extremista cristão em Oslo (2011) para citar apenas alguns exemplos. A tragédia nos coloca de frente com a realidade de que vivemos uma vida de imprecisão: parecemos fortes, mas estamos vulneráveis; estudamos o suficiente, mas podemos ser reprovados; fazemos exercícios regulares e comemos alimentos saudáveis, mas não podemos ter certeza de que não vamos adoecer; parecemos viver, mas podemos estar morrendo. Sobre essa realidade, escreveu Norberto Bobbio: ?Somos tão inteligentes para entender o mal, mas ao mesmo tempo tão estúpidos para não conseguir encontrar o remédio por nós mesmos? (Elogio da Serenidade. São Paulo: UNESP, 2002. p. 202). De fato, a incerteza da vida pode nos levar a um estado de intranqüilidade e medo. Felizmente, essa mesma incerteza também pode nos levar ao reconhecimento nossa fraqueza e à busca da ajuda de Alguém que seja mais forte do que nós. O reconhecimento de nossa fragilidade é um convite para erguermos os olhos a Deus, entregarmos-lhe nossas vidas e deixarmos que Ele cuide do que é incontrolável para nós. Assim poderemos relaxar e viver (ou morrer) em paz.. (*) É juiz substituto da Justiça do Trabalho da 19ª Região (Alagoas).