Opinião
Esclarecimento cidad�o
Mais uma vez, desgraçadamente, o espectro do crime político faz questão de lembrar que é algo vivo e não apenas um fantasma, etéreo tal qual alma penada, a assombrar Alagoas. Tal qual um desses personagens sinistros característicos dos filmes de horror do tipo B ou C, onde os seres assassinos ressurgem das cinzas como zumbis para seguir matando a mancheias, o crime político insiste em retornar ao cenário alagoano. Especialmente nas proximidades das disputas eleitorais. Ainda estão em curso as investigações sobre o assassinato do vereador Luiz Ferreira de Souza e veredictos não podem nem devem ser antecipados, condenando-se suspeitos de véspera, antes mesmo da polícia encerrar suas investigações e a Justiça pronunciar-se sobre o caso. Mas, anteriormente à comprovação das suspeitas sobre a autoria (material e intelectual), ulula a motivação política do assassinato. Esta é a questão central, preocupação primeira da cidadania: combater o crime de mando, especialmente o de motivação política/eleitoral, até porque as próprias características passionais e de luta pelo poder são recorrentes, repetindo-se, no mínimo, a cada dois anos, quando dos processos eleitorais. E, ao longo desses intervalos entre as urnas, o embate político natural, com seus debates acalorados, denúncias mútuas e emoções do tipo, compõe um caldo de cultura onde as rivalidades se estressam ao máximo. Reafirmar os limites legais e cidadãos para esses confrontos é algo, portanto, essencial. O banditismo deve ser varrido da política. Custe o que custar. A impunidade não pode ser tolerada para nenhum crime, mas não podemos esquecer que o assassínio político é um atentado contra a democracia, contra a comunidade como um todo. Aproximam-se as eleições municipais. Evidentemente, elevam-se as temperaturas. O assassinato do vereador Luiz Ferreira de Souza não pode seguir o caminho de outros homicídios semelhantes, para o bem de Alagoas.