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Lugares inesquec�veis de S�o Petersburgo

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Ir a São Petersburgo e não conhecer o Museu Hermitage, o Palácio de Peterhof, a Catedral de Santo Isaac, o Museu Russo e a Fortaleza de Pedro e Paulo é imperdoável. São os principais e mais belos locais que também contam a história da Rússia Imperial. É claro que somente em dois dias, que é o tempo que demora o navio nesse porto, não dá para visitarmos todos eles. Portanto, escolheram dois e, dos outros, apenas nos mostraram as fachadas. Eu já estive outras vezes na Rússia e todos esses lugares já eram meus conhecidos. Demos uma volta pela cidade e, depois, adentramos o Palácio de Inverno, hoje Museu Hermitage, que guarda um dos maiores acervos de belas artes e artes decorativas do mundo. São mais de três milhões de peças magníficas. Claro que, em tão pouco tempo, só pudemos apreciar um milésimo de tanta beleza. Serve, apenas, para termos uma ideia do que por lá existe. O próprio prédio e seu mobiliário são impressionantes. Aí viveram os czares com suas famílias até 1917, quando o poder lhes foi tomado pelos revolucionários comunistas liderados por Lênin. Hoje, o museu ocupa mais dois palácios próximos, tantas são as preciosidades que tem para mostrar. À noite estava programado um espetáculo de balé: O Lago dos Cisnes, um dos mais belos, com a admirável música de Tchaikovsky. Comprei, para ir, um serviço do navio, mas, lendo no programa que teria de andar 200 metros e subir e descer uma escada de 30 degraus, sem acesso de cadeira de rodas, desanimei! Amo de paixão essa peça e essa música, mas já a assisti inúmeras vezes, pelas melhores companhias do mundo, inclusive pelo balé Bolshoi no próprio Teatro Bolshoi de Moscou. Não valeria a pena o sacrifício. Fui pedir, na recepção do barco, o meu reembolso, pois não me era possível participar do grupo que iria e apelei para minhas dificuldades de locomoção. Uma gentil chinesinha, que falava inglês, me atendeu. Como eu havia apanhado um forte resfriado que me fazia lacrimejar o tempo todo, ela entendeu que eu estava chorando por perder ?um balé na Rússia?. Emocionou-se e resolveu me ajudar de todos os modos para eu não deixar de ir. Até chorou de emoção me vendo cheia de lágrimas! Acabei também chorando de verdade vendo tanta gentileza. Finalmente fui ao espetáculo, pois ela deixou suas ocupações para me ajudar. Não entendia que o meu real desejo era não ir. Sofri um bocado, pois fui de bengala; tive que andar muito, porque havia uma dezena de ônibus fazendo o mesmo roteiro. A tal escada era cruel e, no intervalo, tive necessidade de ir ao banheiro que se encontrava no andar térreo, portanto mais duas vezes de escada. Para voltar ao ônibus a mim destinado, e que ficou muito longe, fui obrigada a uma nova caminhada. Mas ouvir Tchaicovsky é sempre um encantamento. Quando voltei ao navio e à minha cabine, encontrei um jarro com rosas vermelhas acompanhado por um cartãozinho, em cuja mensagem, cheia de bons presságios, havia, desenhada, uma carinha risonha, com o intuito de me consolar pelas minhas lágrimas. Assinava: Cindy Son. Era da chinesinha que me havia atendido. Aí é que minhas lágrimas afloraram de fato: quanta gentileza, quanta solidariedade! Claro que lhe enviei de volta um carinhoso bilhete acompanhado de um presentinho. E ficamos muito amigas! (*) É escritora.

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