loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

O perd�o: cura para as m�goas

Ouvir
Compartilhar

A mágoa é o sentimento decorrente da perda. Sentimo-nos magoados quando somos feridos no amor investido em alguém, quando somos lesados na confiança depositada naqueles que nos deveriam apoiar. Em tudo isso, a sensação é de um grande vazio, de que tudo ou quase tudo foi em vão. Consequência imediata da mágoa é a raiva. Trata-se de reagir sentindo-nos irritados, molestados, importunados com determinada situação. E a raiva precisa ser reconhecida, expressada, posta para fora. No entanto, quando somos magoados, a raiva nem sempre é direcionada para quem nos ofendeu. Também nos sentimos culpados, ou ao menos buscamos nossa parcela de culpa nas ofensas recebidas. Então, dirigimos parte dessa raiva para nós mesmos. E a raiva fica ali, corroendo-nos, destruindo o nosso equilíbrio emocional. E o remédio para a mágoa tornada raiva contra nós mesmos e o mundo exterior é o perdão. Nas palavras ditas por Jesus a Pedro no evangelho (cf. Mt 18,22), devemos perdoar sempre. E por quê? Porque o perdão faz parte do nosso processo de cura interior, do nosso caminho de conversão. Jesus é aquele que, vindo habitar entre nós como palavra divina, veio reconciliar todas as dimensões da existência humana nas suas relações com Deus. Ele veio arrancar-nos do casulo do egoísmo, da autossuficiência. Somente abrindo-nos à boa-nova trazida por Ele, compreendemos o quanto somos personagens ambíguos e complexos, sempre transitando entre o amar e o odiar, entre o acertar e o amalgamar, buscando alhures transformações mágicas para traumas que um simples gesto de perdão pode realizar. Todos aqueles que experimentaram o perdão ofertado por Jesus foram curados, não somente fisicamente, mas principalmente na sua vida espiritual. Assim, os coxos, os cegos, os surdos-mudos, os leprosos voltaram à comunhão com os demais, deixando de lado as mágoas de uma vida marcada pela exclusão. Todos estes, em primeiro lugar, foram reconciliados com Deus e com eles mesmos. E a epifania da experiência do perdão divino é a compaixão com os demais. E aqui deixemos de lado o ?bom mocismo?. Quando manifestamos o perdão, devemos fazê-lo com a finalidade de reconciliar o próximo consigo e com o próprio Deus. Em outras palavras: perdoar não é conceder um passaporte para o outro viver descomprometido com a verdade. Errar é humano, permanecer no erro é caminhar nas sendas perigosas da ausência de Deus, permanecendo prisioneiros da mágoa e do rancor. Portanto, perdoar é arrancar o outro da escravidão do pecado. Manifestemos o perdão, e, assim, seremos colaboradores da obra salvífica de Jesus que, ao conceder-nos o perdão, curou nossas feridas e tornou-nos aptos a sarar as nossas mágoas e as do próximo. (*) É diácono ([email protected]).

Relacionadas