Opinião
As escolas p�blicas e os interesses do governo
As escolas públicas da rede estadual de ensino amargam problemas que passam de estruturais a administrativos, ambos reflexos de escolhas políticas, sendo que estes últimos talvez passem despercebidos por muitos cidadãos, por não serem fisicamente visíveis. A Escola Estadual Monsenhor Benício de Barros Dantas, localizada na Pajuçara, é exemplo de escola que, além de padecer com a insegurança, carência de professores e funcionários, profissionais desvalorizados e mal remunerados também sofre com a falta de interesse dos gestores na resolução de problemas. Constantes são os ataques desse governo estadual, que nunca escondeu sua desídia para com os serviços públicos. A referida escola começou a encontrar alternativas após a eleição da atual direção: os pais e alunos opinaram no processo de reorganização que refez a pintura e o telhado, colocou a limpeza em dia, aumentou a segurança. A escola exercita, a duras penas, a gestão democrática. Frutos começaram a brotar: o número de alunos matriculados, que diminuía, voltou a crescer, novas turmas e espaços para a prática esportiva e cultural foram criados. A história narrada teria final feliz caso não tivesse ocorrido numa escola pública da rede estadual. Deliberou-se, unilateralmente, por fechar turmas, extinguir séries em alguns turnos, remanejar alunos para escolas já lotadas e retirar a segurança que havia sido instalada. Por mais que professores, trabalhadores, estudantes e membros da sociedade se comprometam com a qualidade e fortalecimento da educação pública, continuaremos com um governo que sucateia e precariza tudo que é público e tenha sua utilização voltada para a população. Conduta adotada desde o início do seu primeiro mandato. Tal prática ficou conhecida com os governos tucanos: não prestar a devida assistência aos bens públicos que depois de desvalorizados e sem perspectiva de solução são privatizados como se fosse esta a única solução. Sucatear a Escola Benício Dantas é exemplo da aplicação dessa tática, no caso em questão, dá até para imaginar a maneira e o motivo que rondam o triste fim de mais uma escola pública alagoana. Depois de deixá-la definhar até chegar a um ponto em que os prejuízos sejam irreversíveis, afirma-se que nada mais poderá ser feito senão fechá-la e remanejar os alunos superlotando escolas já lotadas; vende-se o terreno, que se localiza num bairro onde o metro quadrado é um dos mais valorizados da cidade. (*) É bacharela em Direito.