Opinião
194 anos de amanh�
Lustro é uma palavra pouco reconhecida pelo público, apesar de seu conceito ser bastante utilizado. Não estamos conjugando o verbo lustrar em sua primeira pessoa do presente do indicativo, mas o vocábulo significante de quinquênio, palavra até menos de cinco anos atrás escrita com dois vistosos e eloquentes tremas. Na numerologia aplicada às efemérides, o lustro é a segunda referência mais importante depois da década. Os quinquênios sempre foram motivos de festa, e ano que vem será a vez de Alagoas comemorar 195 anos de emancipação. Estamos às vésperas do derradeiro quinquênio antes da magistral marca dos 200 anos de Alagoas emancipada, data para a qual se esperam comemorações dignas de tal registro. Hoje sopramos 194 velinhas para uma Alagoas que aparenta ser mais velhinha do que deveria. Vários males crônicos seguem afligindo nosso sofrido Estado, minando nosso futuro e teimando em puxar o presente para mais próximo do que deveria ser um passado longínquo de injustiças sociais, atraso econômico e insegurança pública que beira o barbarismo político. Comemorando hoje 194 anos, Alagoas ressente-se de presentes que lhe deveriam ter sido dados há muito tempo, até porque são direitos inalienáveis de seu povo: prosperidade econômica, inserção social, educação, saúde básica, segurança pública e bem-estar. Faltando apenas um ano para seu 39º lustro, Alagoas tem pouco o que comemorar. Tem do que se orgulhar, isto é verdade. Mas não deveria ter do que se envergonhar aos 194 anos. Deveria ser lustrosa a realidade alagoana, pois os potenciais de nosso Estado são ululantes, assim como é luzidia a capacidade de trabalho de nosso povo. Temos com o que refulgir ao sorrir das manhãs; falta-nos, porém, autoridades competentes para sacudir a poeira e lustrar os metais nobres que forjam Alagoas.