Opinião
O PT e a m�dia
O 4º Congresso do PT aprovou uma resolução que defende a regulamentação da mídia no Brasil. O texto cita ?o fim do monopólio dos meios de comunicação por poucos grupos? e, conforme notícia da Folha, sugere impedimentos para que uma mesma empresa opere em mídias diferentes. Estamos diante de uma das veias autoritárias e esclerosadas do partido que há oito anos e meio determina os rumos do Brasil. Não se imagine que esta decisão tenha como fundamento princípios ideológicos, já que a sua principal razão consiste na profunda irritação com as frequentes denúncias de corrupção em todos os níveis do governo. O que se deseja com a resolução aprovada nada mais é do que impor um freio para a única fonte capaz e eficaz em apontar os numerosos casos de dilapidação do patrimônio público no Brasil. Digo eficaz pela simples e facilmente constatável inoperância de parte do judiciário em simplesmente decidir os processos sob sua responsabilidade, e estão aí para comprovar os mensalões, as taturanas e tantos outros. Afirmo ?decidir? não me referindo ao mérito da questão, já que não há mérito a se comentar e, quando os há, são lamentáveis. Os processos não andam ou andam a vergonhosos passos de tartaruga, motivados não por chicanas judiciais dos advogados de defesa dos acusados, mas pela incapacidade de se dar a pronta resposta que a sociedade exige. Desta forma, o sentimento de impunidade e descrença no poder cresce na mesma proporção em que aumenta a importância da mídia ao apontar os larápios de plantão. Pobre de uma nação que não se faz respeitar! Simone de Beauvoir afirmou, certa feita, que ?quando se respeita alguém, não se deseja forçar a sua alma sem o seu consentimento?. Pois é exatamente desta falta de respeito que falo, e é exatamente esta a falta de respeito que se expressa na tal resolução. Não somos uma urbe de tolos que não enxergam as verdadeiras razões que estão embutidas em manobras deste tipo. Em pleno século 21, se faz inconcebível o controle estatal, este mastodonte de garras afiadas e ferinas, sobre os meios privados de comunicação de massa. Controlar a imprensa significa controlar o livre pensar e o livre expressar. Ademais, dispomos de legislação para nos contrapor a quaisquer abusos que venham a ser cometidos pela mídia ou em seu nome, basta aplicá-la. Aliás, este episódio me faz lembrar um provérbio chinês que afirma que ?o cão não ladra por valentia, e sim por medo?. (*) É Promotor de Justiça e Professor da Ufal.